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Fotopintura de Sebastião Pilatto em carroça de transporte de toras, s/d, acervo Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres

 

Havia um tempo, em um passado não muito distante, em que a chaminé era item obrigatório da arquitetura de todas as casas no Brasil, isso porque antes da era do gás a única maneira de cozinhar era através do fogão a lenha. A forma mais comum de se obter o gás de cozinha é através do refino do petróleo, por isso é chamado de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), e, portanto, seu uso se tornou mais acessível em Araucária após a instalação da refinaria da Repar, no final da década de 1970.

Antes disso, o sinal de fumaça saindo das chaminés dos lares era prenúncio de fogão aceso, de casa aquecida no inverno e provavelmente de família reunida na cozinha, de comida sendo preparada, de aconchego. Nos dias mais frios o melhor a se fazer era sentar sobre o caixote de lenha ao lado do fogão acompanhado de uma xícara de café. E todos os lares necessitavam de muita lenha. Até os trens que cortavam o país (apelidados de “maria fumaça”) e as primeiras formas de energia elétrica do município vi­nham da queima desse combustível vegetal. Sendo assim, havia a necessidade de muitos profissionais envolvidos com sua extração, preparo, comercialização e transporte, e que, com a popularização do uso de derivados de petróleo se tornaram profissões extintas – como a de cortador de lenha.

No registro de indústrias e profissões de acordo com alvarás da prefeitura de Araucária, os primeiros a aparecerem oficialmente envolvidos com esse tipo de negócio são de 1936 – Angelo Rigolino, na “Vila” (região central), Miguel Bochnek e Silvio Brunatto, em Guajuvira e Pedro Nolasco Pizzatto Filho, Pedro Sfereli e Agostinho Boschetti, no Estação.

Na memória de alguns moradores permanecem alguns personagens lá pelos idos das décadas de 40, 50 e 60, como Abílio Ferreira da Silva e seus filhos, que faziam o corte da lenha nas várzeas do rio Iguaçu e a traziam em botes até um pequeno porto na localidade do Morro da Pérola. Essa lenha era vendida em metro para outros personagens memoráveis que faziam seu transporte em carroças, como o Sebastião Pilatto – vulgo “Bastião Louco”, com sua carroça puxada por burros, e a Francelina Sobota. Benjamin Sobota, 87 anos, filho de Francelina, em entrevista concedida à equipe do Arquivo Histórico no ano de 2018, contou que até os seus oitenta anos ela ainda conduzia sua carroça, e que quando ele era criança ia com ela duas a três vezes por semana levar até Curitiba lenha e também palha para fabricar colchão. “Ih quanta lenha ela levou! Eu e ela, eu era piazinho, e ia pra Curitiba de carroça (…) levava pra quem pedia, encomendava e daí na outra viagem levava”. Sebastião Pilatto também era construtor de forno de assar broa, com aquele formato arredondado peculiar, que também dependia de lenha para funcionar, muito comum na época mas já difícil de ser encontrado nos dias atuais, e que por muito tempo fez parte do preparo do alimento diário de todos os araucarienses.

Texto: Cristiane Perretto e Luciane Czelusniak Obrzut Ono

Publicado na edição 1146 – 17/01/19

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