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Esta Coluna é de responsabilidade do Sismmar e não representa necessariamente a opinião do jornal O Popular

Desde o começo do governo Bolsonaro e seus apoiadores, há a ameaça do Ensino a Distância. E desde então o SISMMAR vem fazendo a crítica a esse modelo de ensino, haja vista que a opção pelo EaD por parte dos governos se dá unicamente para agradar empresários milionários que atuam no ramo da educação.

Em Araucária, quando o assunto começou a ser debatido em função da pandemia que atinge o país, o sindicato novamente fez as críticas necessárias. Pedagogicamente falando, o EaD não apresenta eficácia para substituir o ensino presencial por diversos motivos. Além disso, prejudica tanto os professores quanto as famílias.

Prejudica os professores, pois não temos formação para dar aula dessa forma. Também vale ressaltar que as escolas não têm estrutura para o EaD, já que há pouquíssimos computadores nas unidades. No município, a situação é ainda mais grave porque, desde que o EaD foi aprovado, os trabalhadores são obrigados a se aglomerar em reuniões presenciais e, assim, se expõem a riscos de contaminação por coronavírus.

As famílias também são muito afetadas, principalmente as mais pobres. Em meio à crise de saúde, a maioria ainda está tendo que sair de casa para trabalhar e quem tem criança não consegue ter tempo para acompanhar as lições que devem ser feitas em casa com a ajuda dos pais.

Os alunos, que estavam acostumados a ir até a escola para aprender, não estão adaptados ao EaD e isso também prejudica o ensino. A mediação dos professores é fundamental no processo de ensino-aprendizagem e o ensino remoto tira esse direito do aluno. Toda a responsabilidade é jogada para os pais, enquanto o Estado, conforme prevê a Constituição, deveria ser o responsável pela Educação.

Além das inúmeras denúncias do SISMMAR, há também a experiência catastrófica que está sendo vista na rede estadual de ensino do Paraná, que se adiantou na implementação do EaD. Segundo o próprio governador Ratinho Jr, cerca de 60% dos alunos não conseguem ter acesso às aulas online.

Enquanto o governador diz que a educação não pode parar e instaura a ameaça da reprovação em massa, estudantes e famílias estão adoecendo com tantas cobranças. Isso porque vivemos uma pandemia sem precedentes, que já leva mais de 800 pessoas à morte por dia no Brasil, e os relatos de problemas de saúde mental vêm aumentando muito.

Nem os trabalhadores da educação e nem as famílias deveriam estar preocupados com o ano letivo neste momento, pois a proteção à vida deveria ser a prioridade. No entanto, os governantes deixam claro, mais uma vez, que não se importam nem com a vida, nem com a qualidade do ensino que está sendo proposto.

No estado, Ratinho já torrou mais de R$ 22 milhões na implementação do EaD e nem todo esse dinheiro, que nunca antes esteve à disposição da Educação, foi suficiente. Em Araucária, que poderia ter trilhado um caminho diferente, os resultados não serão melhores.

Por isso, em defesa da vida, o SISMMAR continua apoiando a suspensão do calendário escolar!

Publicado na edição 1212 – 14/05/2020

Ensino a distância coloca professores em risco e prejudica famílias - notícias da Sismmar  - O Popular do Paraná
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