A morte de Jesus parecia ser o fim de tudo para os apóstolos. Eles tinham convivido com ele durante 3 anos, ao seu lado, ouvindo suas pregações, vendo seus milagres, compartilhando com ele o dia a dia, aprendendo suas lições de amor e de paz. E, de repente, tudo muda radicalmente e, com sua morte, a sua ausência eminente, parece que explode o fi m de todos os sonhos e projetos acalentados pelo Mestre. No entanto, a morte não teve a última palavra. Ele ressuscitou! Mas, para eles, ainda incrédulos e cheios de medo, isso parecia ser uma mentira ou uma fantasia. Duvidavam da sua ressurreição, mesmo depois de algumas aparições. E foi numa pesca, quando tinham passado toda a noite sem terem pescado nenhum peixe, que ele lhes aparece. Manda que lancem a rede ao mar e, milagrosamente, pegam 153 grandes peixes. Então, eles reconhecem o Cristo ressuscitado e se alegram imensamente com a sua presença. Olhando para Pedro, confia a ele a missão de apascentar as ovelhas.

Movidos pelo espírito do Cristo ressuscitado, os apóstolos partem em missão, cheios de alegria e de coragem. Pedro torna-se então o primeiro papa da Igreja, enviado por Jesus para apascentar as ovelhas do mundo inteiro. Sua missão não é de privilégio, mas, de muito compromisso. Ele deverá ser o primeiro em tudo, mas, não em grandeza e poder, não em privilégios, mas no serviço aos irmãos. Jesus lhe antecipa de que morte irá padecer, ou seja, com os braços estendidos, assim como foi com o próprio Mestre. Pedro assume plenamente essa missão, cheio de ardor missionário, testemunhando com palavras e, sobretudo, com seus gestos e ações o seguimento pleno e total a Jesus.

Neste tempo pascal, tão especial para a nossa Igreja, porque nos faz lembrar o início do cristianismo, somos chamados a renovar a nossa fé, movidos pelo espírito do Cristo ressuscitado. Jesus já não está mais num lugar fixo, determinado, como estava quando ainda andava por esta terra, mas, está presente em todos os lugares e em todas as pessoas que se deixam conduzir pelo seu espírito. É ele que nos move e anima toda a Igreja, mesmo diante das maiores dificuldades e adversidades. Foi ele que animou e dirigiu os apóstolos e os primeiros cristãos, tão perseguidos, caluniados, e, muitos, martirizados pelo império romano.

Hoje os tempos são outros, diferentes, mas as dificuldades, as exigências, os problemas, continuam a pairar no meio da humanidade. E também, em nossa própria Igreja, tantas vezes não compreendida e até caluniada. É a presença do Cristo ressuscitado que a move e a conduz para águas mais profundas. Muitas pessoas precisam ser ‘pescadas’, ou seja, transformadas e direcionadas para o caminho do bem e da vida. O mundo de hoje clama por vida, por entusiasmo, tão marcado pela morte, pelas desigualdades, por tanta injustiça, por brigas, discórdias e até pela guerra tão absurda e sem sentido. Somos chamados a sermos um sinal de esperança, de coragem, mas, para que possamos brilhar, iluminar, animar, precisamos naturalmente deixar que o Espírito do Cristo ressuscitado entre dentro de nós e mova os nossos passos. Ser cristão neste mundo atual, é ser um sinal de esperança, de ânimo, de acreditar que as coisas podem mudar e ser diferentes. Guiados pelo espírito do ressuscitado, sejamos sal da terra e luz do mundo, testemunhas animadas e vibrantes do Cristo vivo entre nós.

Publicado na edição 1309 – 02/05/2022

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