Desde que as aulas na rede estadual de ensino voltaram – em 5 de fevereiro – começaram a surgir reclamações de pais, com relação à falta de vagas, mudanças de horários, entre outros problemas. Esta semana, duas mães procuraram o Popular para relatar suas queixas. Uma delas disse não estar contente com uma mudança de horário que foi implantada no Colégio Estadual Fazenda Velha.

Segundo a mãe, no período da tarde os alunos estão sendo liberados após às 18h, o que se torna um risco para a segurança deles, pois muitos não moram tão perto da escola e estão chegando em casa de noite. Ela disse ainda que questionou a direção do colégio e foi informada que se trata de um projeto piloto da Secretaria de Estado da Educação, do qual a escola aceitou participar. Ela também falou que registrou reclamação na ouvidoria da SEED, e aguarda uma providência.

A outra reclamação diz respeito à falta de vagas no Colégio Estadual Cívico-Militar Dias da Rocha. A mãe que nos procurou disse que estava na fila aguardando vaga pro filho – que até então estudava na rede particular. “No meu caso, meu filho conseguiu vaga devido a um ‘empurrãozinho’, mas tenho conversado com outras mães, cujos filhos ainda estão na fila, que é gigantesca. Sabemos que muitas famílias vieram de outros países para morar em Araucária e acredito ser este um dos principais motivos da falta de vagas, pois o Estado não estava preparado para receber em seus colégios tantas crianças e jovens”, declara.

Sobre a mudança de horário no Fazenda Velha, a SEED explicou que desenvolveu um projeto piloto de reorganização de horário escolar, o qual foi apresentado aos estabelecimentos de ensino de Araucária. O projeto foi previamente submetido à apreciação e aprovação das escolas da rede, em outubro de 2025, assegurando transparência e participação no processo decisório. A execução ocorre de forma regular, sem prejuízo às atividades pedagógicas.

“A adesão à proposta foi facultativa. O Colégio Fazenda Velha manifestou interesse e optou por participar da iniciativa. Ressalta-se que os horários do transporte coletivo da região foram ajustados para garantir a adequada adaptação dos estudantes e da comunidade escolar”, explanou a SEED.

Com relação à fila de espera no Dias da Rocha, a SEED informou que de fato a procura tem sido grande e que atualmente existem 510 estudantes esperando por uma vaga. A secretaria ressaltou que um novo aluno só entra se houver desistência de outro.

A SEED ressaltou que o município possui dois colégios cívico-militares, o outro é o Rocha Pombo, onde também existe uma fila de espera com 104 estudantes.

“Esta é uma realidade no Estado. O ano letivo de 2026 começou com uma fila de mais de 20 mil estudantes aguardando por uma vaga em uma escola cívico-militar. A demanda está acima da oferta no Paraná mesmo com a ampliação do modelo, que chegou a 345 unidades – o maior número do País. Esse número de estudantes aguardando uma vaga representa quase o dobro do número registrado em 2025, com 11 mil na fila”, ilustrou.