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O rio Iguaçu, formado pela junção do Iraí e do Atuba, nasce na divisa entre Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais, e corta boa parte do estado do Paraná. Ao chegar às cataratas do Iguaçu suas águas estão regeneradas, mas passando por Araucária quem olha para suas águas poluídas não imagina que há pouco mais de cinquenta anos atrás, antes da metropolização de Curitiba, suas águas eram limpas e cristalinas, representando um dos mais importantes pontos de lazer para os moradores do município.

Aos domingos, após a missa, era praxe para os jovens solteiros passearem na região das pontes metálicas, onde trocavam olhares e arranjavam paqueras. Nas partes mais baixas do rio formavam bancos de areia onde muitas pessoas iam se banhar. Os mais corajosos arriscavam pular de cima das pontes. Balsas levavam madeira até as madeireiras enquanto famílias faziam passeios de barco. E o que não faltava em suas margens eram pescadores. Aos finais de semana os trens que levavam passageiros ficavam repletos de pescadores com suas varinhas, e em Guajuvira havia até local para pouso, o Hotel do Pescador. O ferroviário aposentado Benjamin Sobota lembra que “Nos feriados o trem ia cheio de pescador, tudo pescava em General Lúcio, Balsa Nova, Guajuvira… tudo de trem, ia cheio de vara no trem”. Até a empresa de ônibus Araucária tinha um sistema de tickets para os pescadores, a cada 5 tickets rendia uma viagem de graça.

O senhor Oswaldo Raksa, em depoimento dado no ano de 1996 para o Programa Boca da Saudade, lembrou como era abundante a pesca no rio Iguaçu. “No inverno, quando o sol esquentava assim elas ficavam… Nós chegamos a pegar sessenta, setenta traíras na fisga (…) porque elas saíam se aquecer no baixo do rio e pegava (…) Me lembro uma vez eu fui com meu tio, pegamos uns dez quilos só de bagre na vara, um de atrás do outro. E caçar rã, pois eu cheguei uma vez a pegar, eu com meu compadre (…) nós pegamos 450 rãs numa noite, rapaz (…) (Pra pegar a rã) É com a lanterna, na noite com a lanterna (…) (ia) muita gente! Às vezes estava mais iluminado na “vargem” do Iguaçu do que na praça de Araucária”.

 

 

Texto: Cristiane Perretto e Luciane Czelusniak Obrzut Ono

Publicado na edição 1128 – 30/08/18

 

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