Padre André Marmilicz: Chamados para a missão

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Quando nascemos, nossos pais com certeza alimentam uma série de expectativas a nosso respeito. ‘O que será deste menino ou desta menina?’ é a pergunta normal, que brota do coração dos pais. A vida é um grande mistério, que vai se revelando aos poucos, com surpresas boas e outras nem tão boas assim. Com o passar do tempo, na medida que vai crescendo, o filho vai percebendo tendências para determinado trabalho, e, assim, projeta o seu futuro, geralmente realizando um curso na faculdade. Nem sempre aparece claro qual é o melhor caminho, a melhor opção, a melhor decisão. Mas, sempre algo surge com mais força, direcionando para determinada decisão. Assim é a vida de todo ser humano, no curso normal de sua existência. E, é claro, através deste trabalho, a sua vida tomará um rumo definido e trará as realizações esperadas e desejadas.

Mas independente de qualquer caminho a seguir, existe algo inerente em cada ser humano, ou seja, o seu desejo profundo de realizar-se como pessoa, na relação com os outros. A verdadeira felicidade está intrinsecamente ligada àquilo que brota do seu interior, ou seja, o desejo sincero de deixar marcas, um legado para as futuras gerações. Cada um é chamado a deixar um pouco de si neste mundo, para que ele possa ser melhor e mais humano. Quem não vive essa dimensão existencial, certamente não encontrará a essência da sua existência, que se resume em ser para os outros. A vida de todo ser humano só pode se realizar plenamente, na relação com o outro. Somos seres sociais, feitos para a relação, do contrário, perecemos e nos frustramos. Na medida em que eu compreendo essa dinâmica da vida, colocando o meu melhor a serviço dos outros, brota de dentro de mim uma alegria, a alegria da missão.

Como cristãos, no dia do batismo, fomos chamados a sermos missionários. O batismo não é apenas um rito, mas, mais do que isso, é a entrada do catecúmeno numa comunidade, onde poderá realizar a sua missão. Torna-se filho de Deus e membro de uma comunidade de fé. Independentemente da sua profissão, será na comunidade dos irmãos que professam a mesma fé, que ele realizará a sua missão de batizado. O batismo assume a característica da missão, do sair de si mesmo, de aprender desde pequeno a frequentar as coisas de Deus, colocando a sua vida a serviço dos irmãos. Uma pessoa fechada em seu próprio mundo, indiferente às necessidades do próximo, vivendo de forma isolada, não compreenderá a beleza da missão. A vida é missão, é compromisso, é participação, comunhão com os irmãos.

O dia mundial das missões nos faz recordar a nossa dimensão missionária, que nos faz sair de nós mesmos e abrir-se às necessidades do outro. Daí advém a importância da partilha, da solidariedade, da compaixão, da vivência desses valores que nos colocam em movimento, indo até àqueles mais necessitados e sofredores. É uma igreja, uma comunidade em missão, de membros que se ajudam, convivem entre si, numa atitude de quem está em permanente saída. Saída do seu pequeno mundo, dos seus problemas, do restrito convívio familiar, participando da vida de comunidade e em tudo aquilo que implica essa vivência. Uma igreja em saída, é o que somos chamados a ser. Pessoas em saída, abertos ao amor, e a tudo aquilo que nos ajuda a sermos instrumentos do Reino de Deus aqui na terra. Somos, sim, chamados a servir, chamados para a missão.

Edição n.º 1385

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