Comentários que circularam recentemente sobre uma possível infestação de caramujos em plantações, principalmente de soja, na área rural de Araucária, deixaram alguns produtores preocupados. Isso porque, segundo eles, existe uma espécie de caracol, conhecido como caramujo africano, que é muito venenoso e pode trazer sérios riscos à saúde humana. A reportagem do Jornal O Popular procurou a Emater/PR, órgão que atua em ações operacionais e de planejamento no setor agrícola do Estado, para buscar informações sobre essa possível infestação. O órgão disse que não registrou ocorrências a respeito da presença de caramujos em plantações localizadas em Araucária. Afirmou ainda que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente também não tem registros ou queixas desse tipo de situação recentemente. “Essas infestações acontecem em algumas regiões do Estado, principalmente no Sul, geralmente em época de plantio, no mês de setembro, e esse fenômeno é causado pelo desequilíbrio ambiental”, explicou.

Perigo

Os pequenos caracóis, mais conhecidos como caramujos africanos, até parecem inofensivos, mas são muito perigosos. Eles foram trazidos da África para o Brasil no início da década de 1980 para serem servidos como escargot, mas não tiveram boa aceitação e foram descartados na natureza.

Se deram bem com o clima brasileiro e se reproduziram rapidamente. A fêmea pode gerar até 400 ovos por vez. Sem predadores naturais e com fartura de alimentos, se espalharam pelo país. segundo a Fiocruz, a infestação está muito grande no país todo e, quando inicia o período chuvoso é que eles começam a incomodar, porque é época que se reproduzem. Alguns estados brasileiros já estão sofrendo com essa infestação.

O caramujo, em contato com a pessoa, pode provocar dois sintomas característicos. Um é no trato digestório, com cólicas, diarreias. E o mais grave acontece quando ele atinge o sistema nervoso, em nível cerebral, que é a meningite eosinofílica, e isso causa uma série de transtornos, convulsões, podendo levar a pessoa à morte.

Esses caramujos também oferecem risco depois de mortos, porque os cascos acumulam água parada e podem virar criadouros do Aedes aegypti, que transmite dengue, chikungunya e zika. Por isso, a recomendação dos especialistas é que se recolha os caramujos e os descarte com cuidado.

Foto – divulgação

Texto: Maurenn Bernardo

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