O ano de 2026 inicia de forma especial para Araucária. Ele marca os 150 anos da chegada dos primeiros imigrantes poloneses ao nosso município, um capítulo fundamental da história local que ajudou a moldar a identidade cultural, social e humana da cidade que hoje conhecemos.

Esta é a primeira coluna dedicada exclusivamente a esse tema e, também, a primeira de uma série que, ao longo das próximas semanas, ocupará este espaço para contar, preservar e valorizar essa rica trajetória. Mais do que um resgate histórico, trata-se de um convite à memória, ao reconhecimento e ao orgulho das raízes que ajudaram a construir Araucária.

Os imigrantes poloneses começaram a chegar à região por volta de 1876. Vinham de uma Europa marcada por conflitos, pobreza e falta de perspectivas. Deixavam para trás sua terra natal, a família e tudo o que conheciam, carregando consigo apenas o essencial: a fé, o trabalho, a esperança e a determinação de construir uma vida digna em um novo mundo.

Ao chegarem, encontraram uma realidade desafiadora. A mata fechada, o solo ainda desconhecido, o isolamento e as dificuldades de comunicação exigiam coragem diária. Ainda assim, esses homens e mulheres transformaram desafios em oportunidades. Com trabalho árduo, abriram caminhos, cultivaram a terra, ergueram casas, capelas, escolas e comunidades inteiras.

Muito além da contribuição econômica, os poloneses deixaram um legado cultural profundo. As tradições, a religiosidade, a música, a dança, a culinária, o artesanato e, sobretudo, o forte senso comunitário atravessaram gerações. Esses valores seguem vivos em festas típicas, grupos folclóricos, sobrenomes, receitas passadas de avós para netos e no orgulho silencioso de quem sabe de onde veio.

Celebrar 150 anos da imigração polonesa não é apenas olhar para o passado. É compreender que essa história continua sendo escrita todos os dias. Os descendentes desses imigrantes seguem contribuindo ativamente para o desenvolvimento cultural, social e econômico de Araucária, ao mesmo tempo em que buscam preservar e fortalecer sua identidade.

A BRASPOL de Araucária tem como missão justamente: manter viva a memória, promover a cultura e aproximar gerações. Em 2026, uma série de ações, projetos e eventos será desenvolvida para marcar esse ano histórico, sempre com o envolvimento da comunidade e o respeito à história construída com tanto esforço.

Ao longo das próximas semanas, esta coluna será dedicada a contar mais sobre essa trajetória: histórias de famílias, curiosidades, tradições, personagens importantes, símbolos culturais e momentos que marcaram a presença polonesa em Araucária. Será um espaço de valorização, aprendizado e, acima de tudo, de reconhecimento.

Que este ano seja um tempo de celebração, reflexão e união. Que possamos honrar aqueles que vieram antes de nós e fortalecer o legado para as futuras gerações.

Araucária tem muitas histórias. E a história polonesa é, sem dúvida, uma das mais belas.

Edição n.º 1499.