No início da tarde desta terça-feira, 13 de fevereiro, a ONG DNA Animal emitiu uma nota para informar que os cães deixados pela direção do Centro de Distribuição do Mercado Livre, em Araucária, não são os cães comunitários que viviam há anos no local.

Na noite desta quinta-feira, 12 de fevereiro, a assessoria de imprensa do Mercado Livre entrou em contato com a redação do Jornal O Popular para informar que os cães haviam sido entregues à DNA Animal, uma ONG localizada no município de Fazenda Rio Grande.

Na manhã desta quarta-feira, uma equipe do O Popular esteve na sede da ONG, mas não localizou os animais. Mesmo assim, o jornal divulgou a informação repassada pelo Mercado Livre, acreditando que ela fosse verdadeira.

Na nota divulgada pela ONG, os responsáveis informam que foram procurados pelo Mercado Livre para uma parceria envolvendo o acolhimento de animais e que, na terça-feira, 10 de fevereiro, três cães foram levados à sede da DNA Animal. “No dia 10/02/2026 (terça-feira), três cães foram acolhidos pela ONG, tendo sido entregues pela equipe do Mercado Livre diretamente em nossa sede. Esses animais receberam imediatamente nossos cuidados, passando pelo processo de entrada e registro no abrigo, incluindo avaliação clínica, exames de sangue e acompanhamento veterinário permanente”, explicam.

Mercado Livre mentiu ao afirmar que cães comunitários foram entregues a ONG em Fazenda Rio Grande

A ONG segue informando que foi surpreendida com a notícia veiculada pelo jornal O Popular sobre o desaparecimento de cães no estacionamento do Mercado Livre. “Esclarecemos desde já que os cães acolhidos pela ONG não são os apontados na reportagem, como demonstram as fotos que deixamos em anexo daqueles que estão sob nossos cuidados. Com a mesma preocupação manifestada pela população, a ONG DNA Animal vem buscando e aguardando esclarecimentos do Mercado Livre, colocando-se à disposição para prestar quaisquer informações necessárias às autoridades competentes”, diz a nota.
O Popular entrou novamente em contato com a assessoria do Mercado Livre e aguarda um novo posicionamento sobre a destinação dada aos cães comunitários Rajada, Caramelo e Pretinha.

Entenda o caso

Pelo menos três cães comunitários que viviam há anos na Rua Ubirajara Sávio Torres, no bairro Boqueirão, estão desaparecidos desde a madrugada do dia 28 de janeiro, uma quarta-feira.
Rajada, Caramelo e Pretinha eram castrados, microchipados e sempre viveram naquela região. Inclusive, cuidadores independentes construíram casinhas para eles no passeio da via.

A rotina dos cães, no entanto, mudou desde que o Centro de Distribuição do Mercado Livre foi inaugurado, no último trimestre do ano passado. Desde então, os animais passaram a circular também pelo estacionamento do CD, que fica aberto ao público.

A grande quantidade de pessoas que trabalha no Centro de Distribuição fez com que os cães ganhassem novos amigos. Apesar de serem bem-quistos pela maioria dos funcionários, a direção da empresa não estaria satisfeita com a presença dos animais no estacionamento e teria armado uma operação para capturá-los na calada da noite do dia 28 de janeiro.

Um coordenador que atua no setor do Mercado Livre conhecido como Loss Prevention teria sido o executor da ação. Com o apoio de outras duas pessoas, eles ludibriaram os cães e, em uma ação que se assemelha à prática conhecida como higienização, colocaram os animais no baú de uma camionete Fiat Fiorino branca. A verificação da placa do veículo indica que ele foi locado da Localiza Rent a Car Ltda..

Desde aquela madrugada, ninguém mais teve notícias de Rajada, Caramelo e Pretinha.
A retirada dos cães comunitários do local, sem qualquer tipo de diálogo prévio com órgãos ambientais ou protetores independentes, revoltou funcionários do Mercado Livre. Ao longo dos últimos dias, vários deles entraram em contato com a redação do O Popular denunciando o episódio e relatando temor pela vida dos animais. “Num momento em que se fala tanto em maus-tratos no Brasil, principalmente pelo que aconteceu com o Orelha, uma empresa gigante fazer algo assim é inaceitável”, relata uma colaboradora, que pediu para não ser identificada por medo de represálias.

Outro funcionário informou que registrou uma denúncia pelo número 181 da Polícia Civil e aguarda que a Delegacia de Araucária ou a Delegacia de Meio Ambiente apure a conduta do Mercado Livre.

Apuração

A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente estiveram no Centro de Distribuição da empresa na quinta-feira, quando notificaram o Mercado Livre para que preste esclarecimentos sobre a situação.