Um furo de quase R$ 500 mil na contabilidade dos armazéns da família instalados em Araucária fez com que a Prefeitura de Curitiba cancelasse o convênio que possibilitava o funcionamento dos estabelecimentos na cidade. Com isso, os armazéns instalados no jardins Planalto e Sol Nascente e também no Mercado Municipal estão fechados desde o início do ano, prejudicando milhares de famílias araucarienses.

O mega rombo nas contas dos armazéns foi constatado por meio de uma auditoria realizada pela Secretaria Municipal de Abastecimento (SMAB) da Prefeitura de Curitiba em 3 de dezembro do ano passado. Na ocasião, os responsáveis pela fiscalização acusaram uma divergência entre o estoque físico e o virtual, que é aquele apontado pelo Sistema de Gerenciamento Físico e Financeiro do Programa. Trocando em miúdos: o sistema de estoque apontava que ainda deveria existir certa quantidade de mercadorias nos armazéns, no entanto esses produtos aparentemente sumiram das prateleiras dos mercados da família.

As informações sobre os rombos apontados pela auditoria foram comunicadas ao ex-prefeito Albanor José Ferreira Gomes em 20 de dezembro, mas só vieram ao conhecimento da população na tarde de ontem, dia 4, durante entrevista concedida pelo atual secretário de Agricultura, Carlos Augusto Siqueira do Couto, pelo secretário de Governo, João Caetano Saliba Oliveira e pelo procurador geral do município, Marcelo Freshe.

Segundo Bagé, como também é conhecido o atual secretário de Agricultura, a maior fatia do rombo foi encontrada no Armazém da Família do Jardim Planalto, onde o furo alcança a cifra de R$ 360 mil. Na unidade do Mercado Municipal, a diferença apontada pela auditoria da Prefeitura de Curitiba foi de R$ 47 mil e no Sol Nascente R$ 20 mil.

Conforme esclareceu o procurador geral do Município, em razão dessa dívida de quase meio milhão de reais, a Prefeitura de Curitiba não renovou o convênio com a Prefeitura de Araucária e com isso não há como abrir os armazéns. “Instauramos uma sindicância para investigar os fatos e iremos e caso essa sindicância constate que foi cometido algum crime, encaminharemos o caso para o Ministério Público tomar as devidas providências legais”, explicou Freshe.

Em juízo
Também durante a entrevista concedida ontem, o secretário de Governo afirmou que o prefeito Olizandro José Ferreira (PMDB) determinou que fosse encontrada uma maneira legal de reabrir os armazéns enquanto o mega rombo não seja esclarecido. “O prefeito Olizandro sabe da importância dos armazéns para milhares de famílias de Araucária e determinou que eles sejam reabertos o quanto antes. Por isso, decidimos depositar judicialmente o valor que estaríamos devendo para a Prefeitura de Curitiba. Com isso, o convênio poderá ser reestabelecido e os armazéns abertos”, explicou Caetano, acrescentando que a previsão é de que até a primeira quinzena de março a população possa voltar a fazer suas compras nos armazéns da família.

Ex-secretário
Questionado sobre o mega rombo encontrado na contabilidade dos armazéns, o ex-secretário de Agricultura, João Batista Marinho, afirmou que já tinha conhecimento da auditoria feita pela Prefeitura de Curitiba. No entanto, segundo ele, o caso precisa ser tratado com cautela, pois até o início de dezembro do ano passado, a Secretaria de Abastecimento de Curitiba não havia apontado a existência de qualquer problema. “Temos que investigar isso. Assim que soube, em dezembro do ano passado, encaminhei o caso à Controladoria Geral do Município para que ela analisasse o caso. Também estive na Secretaria de Abastecimento de Curitiba para ver direito esses números. Temos que descobrir onde está o furo se é aqui mesmo ou se o problema foi lá em Curitiba”, ponderou.