A mão estendida de Jesus | O Popular do Paraná
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Jesus não usava belas teorias para falar do amor de Deus, ou longos discursos que pudessem convencer o outro a mudar de vida ou de direção. Ele simplesmente escutava as pessoas, observava seus sofrimentos, se colocava no lugar delas e, através de gestos concretos, demonstrava o grande amor de Deus. Um amor que se manifestava num olhar cheio de compaixão e misericórdia; numa preocupação sincera e verdadeira em escutar o outro, sentir o seu drama e se fazer presente; alguém que não afastava as pessoas, sobretudo, as mais sofredoras, mas estendia a mão para levantá-las e curá-las dos seus dramas e sofrimentos. Seu amor estava profundamente carregado de gestos concretos e, era exatamente isso, que atraía as pessoas, porque viam nele não um moralista, um chantagista, mas um homem profundamente carregado de compaixão.

No encontro com a sogra de Pedro, Jesus em primeiro lugar se preocupa com a sua situação. Ela está doente, com febre alta, sua saúde está debilitada. Diferente dos escribas, fariseus e mestres da lei que viravam as costas para quem sofria, e, pior, condenando-os porque possuídos por algum pecado, Jesus se aproxima. Ele se preocupa com a realidade dolorosa vivida por aquela mulher. Da sua boca não saem discursos, mas, no silêncio, ele estende a mão para ela, que imediatamente se levanta, plenamente curada. E passo seguinte, livre da febre que a atormentava, ela se põe a servir as pessoas. Claramente, este texto do evangelho quer nos ensinar que pessoas saudáveis devem colocar a sua vida a serviço do outro, especialmente, daquele mais carente e necessitado.

Este gesto de Jesus tem muito a nos ensinar, como seus seguidores. Quando vemos alguém que está sofrendo, qual é a nossa reação? Nós nos aproximamos para ajudar, ou, nos afastamos, evitando o contato com quem sofre? Somos impulsionados a estender a mão, ou, evitamos o contato, com medo de que possa nos transmitir alguma doença? Papa Francisco, numa das suas belas homilias, ele disse: ‘tocar no corpo de quem sofre, é tocar no próprio Cristo. Porque Cristo está presente de modo especial no sofredor’. Em outra ocasião, ele pergunta: ‘como acolhemos aquele que pede um trocado no sinaleiro? Damos dinheiro para logo nos desfazermos da sua presença indigesta? Ou somos capazes de perguntar o seu nome, se preocupar com a sua vida e lhe dar a devida atenção’?

Mais do que belos discursos ou sermões, como seguidores de Jesus, somos chamados a aprender na escola do Mestre. Mais do que coisas materiais, geralmente as pessoas esperam uma atenção, um carinho, um ouvido para escutar, uma mão para ajudá-la a levantar-se. Claro que uma coisa caminha ligada com a outra, ou seja, um gesto de solidariedade, diante de quem está passando necessidade, é muito importante. Mas ele não pode ser executado como um simples formalismo ou descargo de consciência, mas carregado de ternura e bondade. Quantas pessoas estão doentes neste mundo, não apenas por falta de recursos materiais, mas, tantas vezes, por falta de atenção, por falta de uma mão para acolhê-las e levantá-las.

Com Jesus nós aprendemos a sentir compaixão do outro, na hora do seu sofrimento, seja ele quem for. Um aperto de mão, uma mão estendida, um abraço verdadeiro, um sorriso sincero, um olhar terno e carregado de energia positiva, pode fazer a diferença na vida de uma pessoa. Pode, inclusive, curar tantas pessoas carregadas pelo desprezo, pela indiferença, pela solidão. No fundo, cada pessoa quer ser vista e ser valorizada. E isso faz toda a diferença!

Publicado na edição 1247 – 04/02/2021

A mão estendida de Jesus
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