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Dentro de cada um de nós existe um movimento ambíguo, que nos leva a fazer o bem ou o mal. É algo inerente, que exige escolhas diárias, que podem nos conduzir para a vida ou para a morte, para a construção ou a destruição, para frente ou para trás, para seguir com coragem ou então, desistir da luta. Isso faz parte da nossa constituição como seres humanos, e, na liberdade, nos conduz a uma determinada direção em vez de outra. E, naturalmente, sofremos as consequências, sejam positivas ou negativas, por causa das decisões tomadas. Um cacique, se dirigindo aos seus comandados falava da existência de dois cachorros dentro de cada um de nós: um muito bravo e o outro bem manso. Perguntado por um dos ouvintes qual seria o mais forte, ele respondeu: aquele que você alimenta mais.

Jesus como homem, também foi tentado e precisou diariamente tomar decisões. Quando se fala de 40 dias de tentação no deserto, isto quer dizer toda a vida. Foi tentado por tantas pessoas e em tantas circunstâncias, inclusive, pelos seus próprios apóstolos, a seguir o caminho dos homens, do poder e de tantas outras formas que denigrem o rosto de Deus. Mas ele, movido pelo Espírito de Deus, em contraposição ao espírito demoníaco, sempre se colocou do lado da vida, do bem, do amor, da construção. O Espirito divino habitava o seu coração e sempre conduzia suas palavras, seus gestos e ações em direção da vida. Nunca, em nenhum momento, Jesus se colocou do lado da morte ou daquilo que pudesse destruir o ser humano. Muito pelo contrário, ele mesmo afirmou: ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância’.

Como seres humanos, somos tentados diariamente a tomarmos caminhos errados, a agirmos de modo egoísta, individualista, a pensarmos somente em nossas próprias vantagens. O espírito do mal nos tenta, tantas vezes com argumentos prazerosos, mas enganadores, e, se não estivermos atentos, poderemos cair, sucumbir e se afastar do verdadeiro caminho da vida. E, se continuarmos a agir movidos por instintos, por vontades exclusivamente egoístas, poderemos fazer da nossa vida um reino habitado e conduzido pelo espírito maligno. A ganância, o orgulho, a prepotência, a maldade, o deboche, enfim, tantas atitudes malignas poderão prevalecer em nossas vidas, em detrimento ao bem e ao amor ao próximo.

Quem se deixa conduzir pelo Espirito de Deus, busca diariamente seguir os apelos da vida, do amor, do bem ao próximo, daquilo que constrói, conduzindo a sua existência de modo altruísta. Sem ignorar as suas necessidades próprias, procura pensar sempre e, acima de tudo, no bem dos outros. Ajudar, servir, se dispor a ir ao encontro de quem necessita e fazer o bem, valorizar as coisas boas que o outro tem e tudo isso fará parte integrante do seu jeito diário de ser. E, com certeza, mesmo que aos olhos humanos possa existir uma sensação de perda, aos olhos divinos, é um ganho enorme. O próprio Jesus afirma: ‘quem quiser ganhar a sua vida sem mim, vai perdê-la; quem perder a sua vida por causa de mim vai ganhá-la’.

Neste tempo de quaresma, somos chamados a rever a nossa vida e, se não estiver de acordo com o evangelho, buscar meios de conversão. A verdadeira mudança é aquela na qual eu enfrento o espírito do mal, e me deixo conduzir pelo espírito divino e, este, sempre nos conduz a amar ao irmão, acima de tudo. Engana-se quem pensa que os bens, as coisas, o poder nos fazem melhores do que os outros. Pelo contrário, acerta e vive de modo digno, aquele que coloca a sua vida a serviço do bem, da concórdia, da construção do Reino de Deus.

Publicado na edição 1249 – 18/02/2021

A vida e suas escolhas diárias
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