Geralmente uso este espaço para publicar crônicas e evito entrar em assuntos de natureza política, mas seria hipocrisia se eu não me manifestasse sobre o que penso a respeito do nosso cenário eleitoral. É meu último texto no jornal antes do segundo turno das eleições e eu quero me dirigir a quem não decidiu o voto ainda.

Está em andamento no país uma histeria coletiva como nunca vimos, uma sede de vitória a qualquer custo que ignora a verdade e propaga uma onda de ódio e desinformação gigantesca conhecida como “fake news”, que significa “notícia falsa”.

Aqui em Araucária, há pouco tempo, houve o caso de bilhetes racistas dirigidos à empresária Janete Martins. Houve também o caso de um vereador que se dirigiu a um manifestante negro de forma racista, além das pichações com a suástica, o símbolo representativo do nazismo, em muros da cidade.

Isso não é coincidência nem brincadeira: a soma desses fatos evidencia que aqui no município essa onda de preconceito racial, que talvez tenha ficado escondida durante alguns anos, está tomando força. Aqueles que levam em si sentimentos racistas já não têm sequer a vergonha de demonstrar isso publicamente.

Não é só esse o preconceito que está saindo do campo das piadinhas e partindo para o campo da agressão física: um amigo homossexual, ainda nesta semana, foi provocado, ameaçado e perseguido em um local que já frequenta há muito tempo, por pessoas que também frequentam o mesmo lugar. Essas pessoas só passaram a acreditar que podem fazer ofensas e agredir outra pessoa porque o discurso homofóbico está ga­nhando corpo, especialmente pela campanha do candidato que, agora, se diz cristão.

Eu não sou religioso, mas pelo que lembro da história de Cristo, não há nenhum lugar em que ele pregue o assassinato ou a humi­lhação pública de ninguém. Por que, então, em nome de estar do lado cristão, um candidato é capaz de pregar atrocidades como essa, e, quando acontecem, não se manifestar dizendo ser contra?

Vivemos em um município que originalmente pertencia aos índios. Nosso próprio hino se refere aos “briosos tinguis”. E a mesma campanha diz que em seu governo, a demarcação de terras indígenas será eliminada.

É esse o país que queremos? Acabar com a miscigenação racial, como a Alemanha Nazista? Exterminar os índios, como os primeiros portugueses fizeram em terras brasileiras? Assassinar os gays, como já está acontecendo Brasil afora por apoia­dores daquele candidato?

Antes que me acusem de defender o outro lado, o do “presidiário”, eu não o defendo e torço para que seja julgado com o rigor da justiça: mas qualquer outra pessoa é mais qualificada para o cargo de presidente do que aquele que professa o ódio, a homofobia, a misoginia, o racismo e a violência.

Se você ainda está indeciso, informe-se. Ainda há tempo de escaparmos da ignorância e lutarmos, juntos, por um país livre do fascismo e da intolerância.

Publicado na edição 1135 – 18/10/18

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