Campanha “Rótulo, SIM! É seu direito, exija!” pretende regularizar o comércio de produtos de origem animal em Araucária

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É muito comum encontrarmos consumidores que optam por comprar produtos por terem aquele status de “caseiro”, “feito manualmente”, como queijo, salame, manteiga, nata, doce de leite, entre outros, de origem animal. É com essa venda informal que a maior parte dos pequenos produtores de Araucária, por exemplo, ganha a vida, muitos ainda são os provedores principais de suas famílias. Em pequenas instalações, com condições nem sempre adequadas em relação à legislação sanitária, estão durante anos nesse tipo de comércio (irregular) devido às dificuldades e altos custos para requerer o registro junto aos órgãos competentes.

Mas esse cenário está próximo de mudar. A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAG), através do Serviço de Inspeção Municipal – SIM, em parceria com o PROCON, está lançando uma campanha voltada aos pequenos produtores do Município que fornecem produtos artesanais de origem animal para o comércio local. A ação será focada primeiramente na orientação e assessoria a esses produtores, para que possam buscar a regularização de seus negócios, de acordo com a legislação sanitária.

“Através dessa campanha, a proposta da Prefeitura e órgãos envolvidos é fazer com que toda a produção de origem animal comercializada por casas de produtos naturais ou outros comércios tenham inspeção de qualidade, dentro dos padrões sanitários exigidos, garantindo segurança alimentar aos consumidores. Na prática, esse trabalho já começou com a criação do Projeto Queijarias de Araucária, que conta com apoio do IDR-Paraná e do Senar-PR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), principalmente em relação ao manejo do rebanho leiteiro e fabricação e apresentação dos produtos. O objetivo é regularizar a fabricação e a comercialização de derivados do leite e fortalecer o trabalho das mulheres que estão à frente da maioria dos empreendimentos.

O queijo comanda a produção, mas as produtoras ainda fabricam manteiga, requeijão, nata e doce de leite. “A partir da regularização dos empreendimentos, elas já puderam comercializar seus produtos na Feira Sabores das Colônias e na Feira do Peixe, realizadas recentemente em Araucária. Agora queremos expandir essa assessoria para todos os pequenos produtores que trabalham com produtos artesanais”, explica a secretária da Agricultura Dayane Navarrete Stall.

A veterinária que atua no Serviço de Inspeção Municipal da SMAG e idealizadora do projeto de regularização dos produtos de origem animal, Renata Kubaski de Araújo, explica que o trabalho implica desde a visita à propriedade para verificação da sanidade do rebanho até as análises da qualidade da água para ver se não está contaminada e das condições das instalações de produção. “A partir dessa etapa, é feito todo um processo de boas práticas de fabricação, para se assegurar a qualidade dos produtos, fazendo com que os mesmos possam ter um rótulo e serem certificados, visando o consumo com inspeção do SIM”, enfatiza a veterinária.

Renata lembra ainda que muitos animais podem apresentar tuberculose, brucelose, cisticercose, entre outras doenças, o que pode contaminar os produtos. “São doenças que o consumidor pode pegar ingerindo um alimento que não tem controle. Mas isso só é possível detectar através da inspeção sanitária, bem como, ter a certeza de que o produto foi processado corretamente, se todo o processo está livre de contaminações, por isso a importância do rótulo, atestando a qualidade”, frisa.

Campanha “Rótulo, SIM! É seu direito, exija!” pretende regularizar o comércio de produtos de origem animal em Araucária

Orientar e fiscalizar

O papel do PROCON nessa campanha, conforme observa a secretária Dayane, é fundamental, o órgão vai atuar diretamente na orientação e fiscalização dos comércios que revendem os produtos artesanais de origem animal. “Existe certa resistência por parte dessas casas que vendem produtos coloniais ou demais comércios do gênero, nem todos querem comprar produtos que sejam certificados, a maioria prefere revender produtos coloniais sem rótulos, e esses são produtos clandestinos. Então nosso trabalho será fiscalizar esses comércios, é claro que a fiscalização só vai acontecer após todo trabalho de orientação e conscientização dos produtores e estabelecimentos, quanto à importância da inspeção sanitária. E é importante ressaltar que é um direito do consumidor saber a composição do produto, sua procedência e validade. Vamos disciplinar esse comércio para que todos os produtos de origem animal sejam vendidos com rótulo, até por uma questão de saúde, pois hoje temos muitos consumidores que tem alergias e restrições, e é crucial que todos os ingredientes venham descritos na embalagem do produto”, explica Cleber Soczek, diretor do PROCON Araucária.

Murilo Volaco, que também atua no Serviço de Inspeção Municipal, argumenta que os produtores precisam entender a importância desse trabalho conjunto que está sendo feito, considerando que trará segurança tanto para eles quanto para os comércios que revendem os produtos e, principalmente, para o consumidor final. “O queijo com rótulo não perderá sua essência, continuará sendo o mesmo queijo colonial, aquele produto caseiro que eles sempre produziram, só que com segurança e procedência comprovadas, dentro do processo de qualidade. Dessa forma, se algum produto apresentar problema, o consumidor também saberá onde reclamar”, pontua.

Campanha “Rótulo, SIM! É seu direito, exija!” pretende regularizar o comércio de produtos de origem animal em Araucária
Produtores vão receber todo apoio necessário para se regularizarem.

Rotular, sim!

Comprar produtos com rótulo é um direito do consumidor. “Às vezes a pessoa associa o rótulo a um produto industrial, que não é colonial. Mas na verdade isso está errado, e com esse projeto pretendemos mostrar que mesmo rotulado, o produto colonial manterá suas características artesanais. A questão é que não poderá mais ser feito dentro da casa do produtor, mas sim em uma queijaria separada, em um local adequado e livre de qualquer tipo de contaminação, ainda assim, seguindo aquela receita da família”, orienta Renata.

O projeto ainda prevê para os participantes cursos de boas práticas e assessoria para obtenção do selo de inspeção sanitária. “É uma verdadeira força tarefa que estamos fazendo para regularizar os negócios dos nossos pequenos produtores. Antes eles tinham medo de se regularizar, era muita burocracia, era tudo muito caro, mas o projeto veio justamente para viabilizar isso”, afirma.

A veterinária diz também que é possível perceber melhorias na propriedade, nos produtos e na renda da família. “Já tivemos exemplos disso na prática, os produtores que se regularizaram, mudaram completamente a forma de empreender e hoje colhem os resultados positivos. Em linhas gerais, esse projeto é muito maior que apenas um rótulo. Ele agrega inúmeros benefícios para quem está dentro e esperamos que nossos produtores possam enxergar tudo isso e façam parte desse trabalho. Assim como esperamos que os comerciantes se conscientizem e não revendam produtos sem rótulo, para que cesse a procura e isso incentive todos a buscarem a regularização”, argumenta Renata.

Serviço

Produtores interessados em saber mais sobre o projeto poderão entrar em contato com a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento pelos telefones (41) 3614-7531 ou 3614-7532. Dúvidas e denúncias dos consumidores, entrar em contato com o PROCON Araucária (41) 3614-1786 ou 0800 6432834.

Edição n. 1363

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