Em âmbito municipal, uma das belezas de nossa democracia é a possibilidade que a população tem de julgar politicamente um prefeito e seus vereadores a cada quatro anos.

Outra beleza de nossa democracia é a separação dos poderes, que entrega ao Poder Judiciário a possibilidade de analisar fatos e eventualmente proferir decisões afastando gestores públicos de seus cargos sempre que entender que houve por parte desse algum tipo de afronta as regras.

Também é belo em nossa democracia ver o Poder Legislativo analisando a possibilidade ou não de um gestor permanecer no cargo, quando esse foi alvo de algum tipo de decisão judicial que determinou seu afastamento, como vimos recentemente em Fazenda Rio Grande, por exemplo.

No entanto, é preciso dizer que não é normal uma Câmara instaurar um procedimento de investigação que pode resultar numa cassação de mandato contra um gestor que, até onde se sabe, não responde a nenhum tipo de ação criminal ou sequer de improbidade administrativa.

Em política, porém, a normalidade não é uma regra. A história recente do país, inclusive, presenciou uma presidente da República sendo cassada por uma tal de pedalada fiscal. O episódio é até hoje chamado de golpe pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Mas isso já é outra história!

Fiquemos atentos então aos próximos capítulos do processo instaurado pela Câmara. É preciso que os vereadores tenham muita responsabilidade na condução desse processo. Afinal, a democracia sempre sai um pouco enfraquecida quando quem tira um gestor do cargo não é o povo!
Pensemos todos nisso e boa leitura!

Edição n.º 1502.