Diz-se com frequência que os jovens são o futuro, mas o desafio começa quando passam a ocupar o presente. Em Araucária, uma iniciativa recente tem mobilizado trajetórias: o Programa Agentes da Cidadania. Voltado a jovens de 14 a 24 anos acompanhados pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) Califórnia e Industrial, o projeto transforma usuários do serviço em protagonistas dentro do próprio território.

Contemplado pela primeira vez em 2025, o município passa a executar o programa estadual em reconhecimento à relevância do trabalho que Araucária desenvolve nas políticas de assistência social voltadas à juventude.

Durante doze meses, podendo se estender por mais um ano, os participantes recebem auxílio mensal para planejar e conduzir oficinas abertas à comunidade. Para chegar até aqui, apresentaram projetos, organizaram cronogramas com acompanhamento das equipes e comprovaram frequência escolar e participação no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). Não é apenas participar: é assumir horários, preparar encontros e sustentar a própria palavra diante de outras pessoas.

As atividades nascem dos próprios interesses da juventude. Alguns agentes vão ministrar oficinas de desenho, videoblog e contação de histórias. Pela primeira vez, muitos deles não estão respondendo perguntas – estão conduzindo a conversa. Mais do que participar, passam a orientar outros jovens do território, desenvolvendo comunicação, autonomia e confiança.

Ao assumirem o papel de agentes, deixam de ser apenas público atendido e tornam-se referência na comunidade. O impacto alcança também quem participa das oficinas: vínculos se formam, famílias se aproximam e o serviço cumpre seu papel de transformar vidas.

A proposta é abrir caminhos para que jovens sejam protagonistas de suas próprias histórias e influenciem positivamente outras crianças e adolescentes. As inscrições acontecem nos CRAS Califórnia e Industrial para jovens acompanhados pelo serviço e que atendam aos critérios do programa.

Quando um jovem encontra espaço para participar, deixa de procurar lugar para pertencer. E, quando isso acontece, não muda só uma história: transforma o território inteiro.

Edição n.º 1503.