Desportistas araucarienses afirmam que “lugar de mulher também é no futebol”

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A realidade do futebol sempre esteve distante para as mulheres. Apesar de todas as transformações sociais que estamos vivendo, a desigualdade de gênero nesse esporte ainda existe. Em grande parte, porque o cenário esportivo foi naturalizado como um ambiente majoritariamente masculino desde a sua criação. A Copa do Mundo Feminina, que começa nesta quinta-feira (20/07), tem colocado em evidência a importância da mulher no futebol, ainda assim, está longe de ter o espaço merecido.

O Jornal O Popular conversou com desportistas e jogadoras mulheres de Araucária, para ouvir delas o que significa essa busca constante por espaço e, porque que não dizer, por mais respeito e igualdade dentro do futebol.

Marianne de Castro Ramos

Tem 15 anos e começou a jogar futebol quando tinha apenas 5. Atualmente é capitã do time de futsal feminino da SMEL Sub-17. Devido às suas habilidades com a bola, Marianne ganhou o apelido de “Martinha”. “Tudo começou quando eu entrei na escolinha de futebol do Costeira e o treinador Adilson fez uma brincadeira, falando que eu jogava muito e que eu era a nova Marta, então o apelido pegou”, conta a atleta.

Marianne já foi vítima de preconceito no esporte. “Infelizmente isso acontece na vida de muitas meninas que querem ser jogadoras de futebol. As mulheres precisam ser valorizadas e tratadas de forma igualitária no futebol”, lamenta. Segundo ela, um exemplo de que o preconceito ainda existe está na Copa Feminina de Futebol, cujo contraste ainda é grande quando comparada com a edição masculina. “Querendo ou não, a diferença é grotesca entre os dois segmentos, em termos de salários ou torcidas e, principalmente, na divulgação, raramente vemos a mídia dando destaque para os jogos femininos. Mas se você tem o sonho de jogar futebol, nada pode te parar, a não ser você mesma. O preconceito sempre vai existir e é isso que vai nos fortalecer cada vez mais”, aconselha.

Desportistas araucarienses afirmam que “lugar de mulher também é no futebol”

Joyce Cristina de Oliveira Furlan

25 anos, também é jogadora de futebol. Pratica o esporte desde os 12 anos e atualmente defende os times de fut7 Lobas e Colo Colo. Ao contrário de Marianne, ela diz que nunca sofreu preconceito e que sempre foi respeitada no futebol. “As mulheres hoje se mostram tão competitivas quanto os homens e capazes também de realizar grandes feitos nos esportes. A participação delas, no entanto, apresenta-se constituída de muito preconceito, principalmente na liderança esportiva, apesar de na atualidade o gênero feminino ter ultrapassado muitas barreiras”, afirma.

Quando o assunto é a Copa de Futebol Feminina, ela afirma que apesar de o futebol entre mulheres estar cada vez mais em ascensão, ainda é pouco assistido em comparação ao masculino. “No masculino há salários maiores, mais patrocínios e visibilidade, entre outras questões que ultrapassam as quatro linhas. Mas ainda acredito que o futebol é para mulheres também, até porque hoje as equipes de futebol feminino têm à frente de suas comissões técnicas treinadoras altamente capacitadas e capazes, e a modalidade feminina começa a ter mulheres em cargos anteriormente ocupados apenas pelos homens. Isso é uma grande conquista de modo geral, não apenas em termos de Copa do Mundo. Em resumo, mulher entende de futebol sim, e ela pode estar dentro do campo ou onde ela quiser”, opina.

Desportistas araucarienses afirmam que “lugar de mulher também é no futebol”

Joicéli do Rocio da Silva Figura

Apesar de não estar em campo, Joicéli do Rocio da Silva Figura, 47 anos, ocupa um espaço importante no cenário do futebol. Desde 2007 ela acompanha ativamente o esposo Luiz Artur Costa (Luizinho), um ativista no cenário esportivo. Atualmente Joicéli é presidente do Grêmio Esportivo Araucariense, time que ficou por muito tempo parado, sem participar de campeonatos federados.

“Em 30 de março deste ano o clube foi reativado e elegeu uma nova diretoria, eu assumi como presidente. Até agora nunca houve nenhum desrespeito por eu ser uma mulher no futebol. Antigamente isso era proibido para mulheres, mas hoje elas estão adentrando aos poucos em todas as modalidades esportivas, mesmo sendo desafiadas todos os dias para poder se manter no esporte”, comenta a desportista.

Além de fazer parte da administração do Grêmio, Joicéli também cuida da manutenção do campo, da compra de materiais esportivos, registro de jogadores e cuida da higiene e organização dos uniformes. “Hoje vemos mulheres na arbitragem de jogos masculinos e femininos, mulheres jogadoras, narradoras, comentaristas e apresentadoras de programas esportivos, mas ainda há muitos desafios a serem superados, porque o preconceito existe. Não ganhamos o merecimento e reconhecimento devido no esporte. Grande parte da sociedade ainda acredita que mulher não entende de futebol, que o lugar dela é em casa, cuidando dos filhos, talvez seja por isso que as modalidades femininas não são tão divulgadas tanto quanto deveriam. Até mesmo na questão de salários, o futebol masculino é muito bem remunerado, já o feminino, pouco se fala e pouco se divulga na mídia”, compara.

Outro ponto que a desportista ressalta na questão das desigualdades está na valorização e incentivo à Copa do Mundo Masculina, com ponto facultativo para os brasileiros acompanharem de casa todos os jogos, enquanto que na Copa Feminina isso não acontece. “Acho isso um desmerecimento às mulheres que se dedicam a esse esporte tanto quanto os homens, ficam distante de suas famílias e filhos em viagens para treinos e jogos. Meu recado vai para você mulher, que sonha ser uma jogadora profissional de futebol. Nunca desista de lutar por um espaço. Não deixe que o preconceito a impeça de brilhar em campo e ser mundialmente reconhecida por ser forte, por ser mulher. Não desista jamais, independente de incentivo dos outros ou não, lute com fé, pedindo a Deus força e proteção, pois o melhor e maior incentivo deve ser o nosso!”, aconselha.

Desportistas araucarienses afirmam que “lugar de mulher também é no futebol”

Edição n. 1372

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