Padre André Marmilicz: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

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A pregação de Jesus, o seu jeito de ser, de acolher as pessoas, a sua profunda preocupação com os seres humanos mais frágeis e sofredores, a sua compaixão e misericórdia para com os pecadores, mexeu no imaginário das pessoas da época. Quem era aquele homem tão diferente, pregando a boa nova da alegria e da esperança? Quem era aquele homem sempre em movimento, com um olhar tão penetrante, tão carinhoso, bondoso, terno, jamais visto até então? Quem seria aquele homem sempre pronto a ajudar, a curar os doentes, a ir ao encontro dos pecadores, com um jeito tão tão humano? Com certeza, aquele homem mexeu com a sociedade da época, como nenhum outro ser humano, em toda a história da humanidade.

Jesus, certo dia, resolveu perguntar para os apóstolos, o que o povo de modo geral estava falando sobre a sua pessoa, quem diziam eles que ele era. Segundo os discípulos, todos estavam fascinados e surpresos com a pessoa de Jesus, mas, achavam que era um profeta, ou, que Elias tinha voltado, ou então, que João Batista tinha ressuscitado. Ninguém sabia ao certo quem era aquele homem, tão diferente e tão especial. Quando Jesus perguntou aos apóstolos, ‘e vós, quem dizeis que eu sou?’, Pedro respondeu com uma sabedoria profunda: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. Certamente, Pedro ainda imaginava que o Cristo, o Messias, seria um rei poderoso, como todo o povo de Israel esperava ao longo da história. Ele respondeu de forma exata, mas, com certeza, não tinha ainda compreendido que o Messianismo de Jesus não seria de glória, poder, mas de serviço, de humildade, de entrega, e, que passaria pela cruz.

Se perguntássemos hoje para muitas pessoas que são cristãos, quem é Jesus para elas, teríamos respostas muito variadas. Algumas, talvez, responderiam a partir daquilo que escutaram sobre Jesus na sua infância: ‘Ele é o Filho de Deus’, ‘Ele é o Salvador’, ‘É o Senhor’, mas, talvez de forma automática, racional, mas não existencial. Esse é o grande perigo para aqueles que são cristãos, mas, que ainda não compreenderam o que significa seguir Jesus. Mais importante do que a questão doutrinal, é aquela vivencial, aquilo que a pessoa de Jesus significa e incide em sua vida. Ou seja, a experiência pessoal que cada um faz no encontro com ele. E quem realmente se encontra com a sua pessoa, se transforma, e, isso se reflete no seu jeito de ser, de viver, de falar, de se relacionar, de tratar os outros. Não basta evocar o nome dele, ‘Senhor, Senhor’, mas, fazer a experiência do encontro, da entrega, do esvaziamento de si mesmo, para deixa-lo habitar seu coração e mudar todo o seu modo de viver e de conduzir a sua vida.

O encontro com Jesus se dá, sobretudo, através da leitura do evangelho. Na medida em que alguém começa a se relacionar com os textos bíblicos, deixando o Espírito Santo agir em sua vida, isso vai transformando o seu coração. A meditação e, sobretudo, a contemplação, fazendo o encontro com o Jesus da história, o Jesus que caminha pelas ruas da Galileia, vai transformando o ser da pessoa. Esse encontro, com o Jesus encarnado, vivo, em contínuo movimento, cria um movimento interior em cada um. Leva a pessoa a rever suas atitudes, seu modo de se relacionar com os outros, e, naturalmente, torna-se mais compassiva e misericordiosa. Oxalá os seguidores de Jesus compreendessem que segui-lo significa amar, servir e se sacrificar pelos irmãos.

Edição n.º 1377

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