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Empreendedora contou com a solidariedade de suas clientes durante a pandemia
“Minha mãe é uma mulher guerreira, um exemplo de doação e determinação. Tenho muito orgulho dela, derrete-se em elogios o filho Wallace”. Foto: Marco Charneski

EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO – 131 ANOS



Nascida e criada na região rural de Campina dos Martins, a microempreendedora Dirlete dos Santos, 47 anos, nunca teve medo do trabalho e desde menina ajudava a família na roça. Quando jovem, trabalhou como diarista e investiu em cursos no segmento de beleza.

É manicure, depiladora e cabelereira há 17 anos, tem clientes fiéis, algumas estão com ela desde o início. Dirlete sentiu na pele os impactos da pandemia. Com o fechamento do salão ela deixou de ter sua renda diária, mas as contas continuavam a chegar. Renegociou as parcelas do financiamento da sua casa, onde também é o salão e deu entrada no auxílio emergencial que demorou para ser aprovado. “A situação não ficou pior porque algumas clientes que atendo toda semana, preocupadas comigo, adiantaram os valores referentes ao mês e contei com ajuda dos meus filhos que trabalhavam.”, relembra.

Quando o atendimento nos salões foi liberado, a empreendedora sabia que ia ser difícil voltar ao normal. “Aos poucos as clientes foram retornando, mas a maioria ainda tinha muito receio e eu também, pois tenho asma e a imunidade baixa”, explica.

Para se adaptar à nova realidade Dirlete tomou todas as medidas sanitárias possíveis e marca os horários com folga entre um atendimento e outro, pede para que não levem acompanhantes, e higieniza todos os equipamentos, poltronas e mesas. “Se alguma cliente chega sem máscara eu ofereço uma descartável e tenho máscaras de tecido para venda”. Ela também não faz cerimônia se achar necessário cancelar clientes que estejam descumprindo as regras. “Não atendo quem voltou de viagem poucos dias antes e até já dispensei uma cliente que teve a audácia de me ligar dizendo que ia se atrasar um pouquinho, pois estava fazendo o teste de covid, acredita?”. Outro diferencial é que ao contrário de salões maiores, Dirlete trabalha sozinha, então o risco de contágio no ambiente é bem controlado com a higienização.

Seu filho mais novo, Wallace (24) foi contaminado pela covid, juntamente com a família da namorada, como eles descobriram rapidamente quando o pai dela fez o teste, ficaram de quarentena pelos 14 dias recomendados. “Senti muito cansaço, dores de cabeça e no corpo, mal conseguia fazer as coisas mais simples e mesmo depois de curado, fiquei cerca de um mês me sentindo fraco”, conta o rapaz.

O ano de pandemia também trouxe mudanças na casa da Dirlete, seu filho mais velho, o engenheiro civil Weslley (26) casou e foi morar em outro bairro da cidade. “Foi um casamento simples no civil, só com a presença da família, mas quando tudo isso passar eles pretendem se casar na igreja, receber as bênçãos dos avós, comemorar com os parentes e viajar. Tudo o que o coronavírus não permitiu viverem”, explica.

Dirlete espera que todos sejam vacinados ainda neste ano para que a vida volte a sua normalidade. “Não tenho medo do trabalho, começo às 7h da manhã e vou até as 10 da noite se for preciso, mas tenho medo da doença, penso no meus pais que moram no interior, de como ela afetaria minha saúde e de eu não poder trabalhar. Tenho muito orgulho do que faço e dou o melhor para atender as minhas clientes que se tornaram minhas amigas e muitas vezes confidentes”.

Serviço:
Salão da Di
Rua José Cetnarowski, 494, Cachoeira
Fone: 99925-6175

Texto: Rosana Claudia Alberti

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