Mitos sobre o suicídio podem prejudicar tratamento dos transtornos psicológicos

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O mês de setembro é marcado por uma importante campanha de prevenção e conscientização ao suicídio, que acontece simultaneamente em todo o Brasil. O Setembro Amarelo, que este ano tem como lema “Se precisar, peça ajuda!”, foi lançado em 2015 por iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria e traz este importante tema ao debate.

O suicídio é uma triste realidade que atinge o mundo todo e gera grandes prejuízos à sociedade, e a exemplo de outros assuntos tabus, o suicídio é cercado por mitos que, muitas vezes, são bem convincentes e acabam prejudicando a busca por ajuda, fazendo com que várias pessoas que sofrem com ideação suicida não recebam os cuidados necessários. A psicóloga Angelica Soraya Krzyzanovski lembra que os mitos existem porque o suicídio é um tema bastante complexo. Um dos mitos, segundo ela, é de que a pessoa que fala em tirar a própria vida não tem essa intenção, o faz apenas para chamar atenção. “Isso não é verdade! Quando a pessoa fala em suicídio ou tem comportamentos autolesivos, está pedindo ajuda, está procurando um suporte. Outro mito é o de que as pessoas que planejam se matar tentam de fato acabar com suas vidas, desejam morrer. Nem todas pensam assim! Sabemos que algumas pessoas, quando pensam em suicídio, na verdade querem acabar com um problema, com uma dor. Então nosso papel é tentar ajuda-las na busca por novas formas de acabar com esse sofrimento, ajuda-las a buscar novas soluções para isso, sem precisar usar o suicídio como saída”, explica a psicóloga.

O suicídio não acontece em maior escala entre jovens e adolescentes. Este é outro mito! “Hoje em dia sabemos por meio de boletins epidemiológicos que existem muitos idosos e adultos na faixa dos 30 a 40 anos que cometem suicídio. É claro que os jovens e adolescentes, muitas vezes, tem menos condições de lidar com alguns problemas, por isso este mito acaba sendo propagado. Além disso, o suicídio entre crianças não é raridade”, ilustra a psicóloga.

Muitos acreditam que apenas as pessoas com transtornos mentais estão propensas a tentar tirar a própria vida e que o suicídio está diretamente relacionado à depressão. Mito também! “Existem vários outros transtornos que estão relacionados ao comportamento autolesivo, ao comportamento suicida. Uma pessoa pode nunca ter sido diagnosticada, mas por algum motivo, por alguma perda grande, um trauma, pode querer também acabar com a sua própria vida”, diz Angélica.

Os mitos, conforme observa a psicóloga, atrapalham muito na hora da busca por ajuda ou tratamento, justamente porque as pessoas tendem a negligenciar alguns tipos de pedidos de ajuda. “Às vezes vemos uma pessoa com uma vida aparentemente estável e tranquila, mas não sabemos o que acontece dentro dela, o tamanho da dor que está sentindo. Por isso não podemos nos descuidar, inclusive a campanha Setembro Amarelo foi criada justamente para trazer essa informação à tona, mostrar que falar sobre suicídio é importante. Apesar de ainda ser considerado um tabu, um tema pesado, o suicídio precisa estar em evidência”.

Edição n.º 1380

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