Políticas sociais, no Brasil, raramente escapam de julgamentos e da desinformação. Esses discursos distorcidos acabam reforçando preconceitos antigos e estigmas que atravessam gerações. Quando informações falsas circulam em larga escala, o impacto atinge diretamente a vida de milhões de pessoas que são o público-alvo dessas políticas.

Um exemplo recente foi a repercussão de uma fala feita durante a 26.ª edição do Big Brother Brasil, envolvendo o programa Bolsa Família. Ao afirmar que o benefício “tira pessoas da escola” ou “desestimula o estudo”, a participante não apenas errou nos fatos, como reproduziu uma narrativa recorrente de quem não conhece o programa. A declaração é falsa e ignora o funcionamento concreto do programa.

O Bolsa Família não afasta crianças e jovens da educação – faz exatamente o contrário. O programa exige a permanência na escola como condição para o recebimento do benefício. O descumprimento dessa condicionalidade pode resultar em advertência, bloqueio ou suspensão do pagamento. Trata-se de uma política pública que reconhece a educação como eixo central no enfrentamento da pobreza.

O programa tem sido decisivo para que milhares de jovens concluam o ensino médio e cheguem ao ensino superior. Para famílias em situação de pobreza, o Bolsa Família frequentemente representa a estabilidade mínima necessária para que filhos não precisem abandonar os estudos em busca de renda para ajudar suas famílias. Há inúmeras trajetórias de pessoas que chegaram à universidade porque o benefício ajudou a conter a fome, a insegurança e a urgência.

Ainda assim, persiste o discurso que associa beneficiários à acomodação ou à dependência do Estado.

Essa visão desconsidera a realidade de trabalhadores informais, subempregados e famílias expostas a desigualdades históricas. Também deixa de reconhecer que a pobreza está ligada a um conjunto amplo de fatores sociais e econômicos, e não apenas a escolhas individuais.

Quando a desinformação é amplificada por figuras públicas ou programas de grande audiência, ela legitima o preconceito e empobrece o debate público. Opinião é um direito, mas não pode se sustentar em falsidades. Defender informação correta sobre políticas sociais não é militância: é compromisso com a realidade e com a dignidade de quem mais precisa.

Edição n.º 1500.