No início de abril, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) divulgou a nova relação de obras de referência para o Processo Seletivo de 2022/2023. Os títulos serão usados para as provas de Literatura Brasileira, Sociologia e Filosofia.

Em Literatura, saem os títulos “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto e “Relato de um certo oriente” de Miltom Hatoum e entram “O livro das semelhanças”, de Ana Martins Marques e o “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Em Filosofia, apenas Maquiavel se mantém na lista e são incluídos: “Lugar de fala (capítulos “O que é lugar de fala?” e “Todo mundo tem lugar de fala)”, de Djamila Ribeiro; “Três diálogos entre Hylas e Philonous”, de George Berkeley; “Ética”, livro I, apêndice,de Espinosa e “A dúvida de Cézanne”, de Maurice Merleau-Ponty. Em Sociologia, é retirado “Sociologia”, de Anthony Giddens e Roque de Barros Laraia. No lugar, são adicionados “Sociologia” de Silvia Maria de Araújo, Maria Aparecida Bridi e Benilde Motim e “Sociologia para o Ensino Médio”, de Nelson Tomazi.

Na opinião da professora de Literatura do Colégio Marista Sagrado Coração de Jesus, Kimberly Alves de Oliveira Sarnecki, as obras incluídas como referência indicam mudanças para um cenário mais contemporâneo e maior presença de autoras femininas. “É nítido o direcionamento para leituras mais atuais e modernas na nova lista da UFPR. É importante lermos os clássicos e termos essa base bem consolidada, mas é preciso incentivar os jovens a lerem obras atuais que estimulam a reflexão, questionam e trazem diferentes realidades”, afirma. A professora de Língua Portuguesa, Regina Portela do Amaral, também reforça a importância da universidade trazer olhares diferentes para a literatura. “É importante dar a conhecer as excelentes escritoras brasileiras e a representatividade de suas obras”, analisa. Temos Carolina Maria de Jesus apresentando questões vividas pela mulher negra, pobre e periférica, assim como em Clara dos Anjos, mas de um lugar de fala diferente – do ponto de vista da própria mulher negra periférica, em Quarto de Despejo. A outra obra, O livro das Semelhanças, que veio se juntar à lista, da premiada escritora mineira, Ana Martins Marques, traz um sopro de atualidade à leitura da poesia. Uma obra belíssima, de linguagem acessível, mas profunda e coesa.

O professor de Sociologia e Filosofia do Colégio Marista, Fernando Pinto de Mélo pondera que os novos títulos permitem que os estudantes consigam pensar de forma autônoma. “O objetivo não é que os alunos decorem os autores e o que pensam, mas que consigam refletir sobre as problemáticas e questões contemporâneas”.

Para Mélo, o fato de os títulos de Sociologia serem todos livros didáticos facilita o acesso a eles e também trazem fontes teóricas e discussões bastante amplas. Além de serem conceitos utilizados na prova, ajudam na construção e argumentação na hora da redação, já que trazem conceitos básicos de interpretação da realidade atual.

De uma maneira geral, as novas obras de Filosofia trazem temáticas presentes na nossa sociedade, utilizando autores clássicos e contemporâneos. “Um dos títulos que me chamou a atenção foi, “O que é lugar de fala?”, da filósofa brasileira Djamila Ribeiro, por ser uma temática interessante e relevante para o contexto atual que vivemos e por ser geradora de discussão e debate”, afirma o professor.

Além das novas obras incorporadas, o vestibular também volta a ter duas fases. O reitor Ricardo Marcelo Fonseca anunciou que a mudança busca valorizar a leitura e a escrita dos estudantes, tanto nas provas específicas como na de redação. As fases devem acontecer entre outubro e dezembro, em datas ainda não definidas.

Publicado na edição 1309 – 02/05/2022

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