Padre André Marmilicz: O caminho

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Jesus se apresenta ao mundo como ‘o caminho, a verdade e a vida’. A sua proposta de Reino de Deus, é o caminho a ser seguido por todos aqueles que acreditam na sua mensagem de salvação. Jesus também realiza o caminho da Galileia até Jerusalém, como um tempo de ensinamento, de orientação, de curas, enfim, de compreensão da sua boa nova. No caminho lembramos da mãe dos filhos de Zebedeu que pede aos seus filhos um lugar especial na eternidade; no caminho, Jesus cura um cego de nascença, que renova o seu direito de ver a vida, da sua dignidade como ser humano; no caminho Zaqueu sobe numa árvore para ver Jesus passar; no caminho Jesus não é acolhido pelos samaritanos. Enfim, é caminho que conduz Jesus até Jerusalém onde seria preso e morto para nos salvar. A imagem do caminho sempre foi tão forte, que, no início do cristianismo a igreja se chamava ‘Caminho’.

Partindo desta imagem, entendemos que a nossa vida é também um caminho a ser percorrido, por um breve tempo nessa terra. Um caminho feito de tantos momentos distintos, uns agradáveis, outros nem tanto; uns cheios de euforia, outros dominados pela tristeza e pelo desânimo; uns de sucesso, de realizações, e outros, de fracassos e decepções; uns cheios de entusiasmo e outros, carregados de pessimismo. São tantas as realidades vividas neste caminho, entre subidas e descidas, entre lugares planos e bons de se caminhar, com outros duros, ásperos e cheios de pedras. A vida é este caminho que vamos trilhando, entre sorrisos e lágrimas, entre derrotas e vitórias, entre conquistas e fracassos. É impossível imaginar um caminho que seja somente cercado de rosas e flores, assim como, ao contrário, somente de tristezas e desgraças. É um eterno ir e vir, de situações tão diferenciadas, mas, assim é o nosso caminho.

A experiência que tive a alegria de fazer durante 11 dias, fazendo o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, me ensinou essa dinâmica da vida. Em mais de 20kms percorridos todos os dias, cada passo apresentava uma surpresa, entre momentos de subidas violentas, contrastando com descidas pedregosas, e, lugares planos, agradáveis, cercados e árvores e de rios. Uma verdadeira metáfora da vida, no seu cotidiano. E nesse caminho, uma lição ficou fortemente marcada no meu coração, no meu espírito, na minha mente e no meu físico: a superação. Quando as realidades adversas pareciam determinar o desânimo, a palavra superação, movida pela persistência, pela resistência, me faziam crer que seria possível alcançar o almejado final: a catedral de Santiago. E, como se fosse uma imagem do céu, a chegada na Catedral deu a sensação de vitória, de meta alcançada, de objetivo atingido e, no fundo, a sensação de que valeu a pena vencer todas as intempéries do caminho e comemorar a vitória.

Assim é a nossa vida, caminhamos entre dores e alegrias, tantas vezes tomados por situações totalmente adversas, mas, somente quem persistir, e, for aos poucos superando todos os obstáculos, poderá um dia fazer a experiência da vitória, da ressurreição. Como caminhantes, somos chamados a sempre olhar para frente, como aquela flecha amarela, que nunca nos permitir afastar-se da meta final. E essa flecha, é o próprio Deus, que com seu amor imenso, vai nos apontando o caminho, vai nos conduzindo para a vitória final. Sempre em frente, é o que nos ensina o caminho a seguir.

Edição n.º 1384

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