Trabalho de acadêmicas aborda a incontinência urinária em mulheres praticantes de CrossFit

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Email

Alunas do último semestre do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Unifacear, orientadas pelo professor Jaisson Estrázulas, realizaram uma pesquisa epidemiológica em Araucária, dentro do trabalho de TCC, cujo foco foi identificar a prevalência de incontinência urinária em mulheres praticantes de CrossFit. O trabalho tomou como base levantamentos que mostram que 50% da população adulta feminina sofre de incontinência urinária, porém somente uma pequena parcela procura ajuda médica. A incontinência impacta diretamente na qualidade de vida dessas mulheres, sendo um importante problema de saúde pública. Existem cinco tipos de incontinência urinária: de urgência, de esforço, por regurgitação/extravasamento, funcional e a noturna.

Segundo a pesquisa feita pelas alunas, a incontinência por esforço está relacionada à prática desportiva de alta intensidade, onde há o aumento da pressão intra-abdominal e uma incapacidade de contenção pela musculatura do assoalho pélvico, causando o escape urinário. Dentre os exercícios de alta intensidade, o CrossFit vem ganhando destaque pelo aumento de praticantes, os quais buscam a melhora do condicionamento físico e o ganho de força. “Nesta modalidade são realizados exercícios com movimentos funcionais associados à alta intensidade, tais como saltos e agachamentos. Contudo, como outras modalidades esportivas, o CrossFit também resulta na mudança repentina da pressão intra-abdominal, sobrecarregando a musculatura pélvica”, apontou o levantamento.

Diante dessa situação, há a necessidade de se buscar, através da ciência, a compreensão dos mecanismos que envolvem esse tipo de interação entre o esporte e um problema de saúde. E é nisso que se baseou a pesquisa das alunas Leticia e Raissa. O resultado do trabalho poderá servir como base para futuros estudos de intervenções que possam minimizar os riscos dessas mulheres apresentarem incontinência, evitando que abandonem o esporte, tão importante não só para a saúde, mas também para a parte psicossocial.

As pesquisadoras visitaram todos os boxes de CrossFit da cidade, entrevistando 65 mulheres, encontrando uma prevalência de incontinência de 31%. A maioria das entrevistadas apresentou uma perda de urina considerada moderada, a qual impacta na qualidade de vida. Assim como em outras pesquisas pelo mundo, também foi observado que há uma associação entre a presença da incontinência e mulheres que tiveram parto normal pelo menos uma vez.

“Estudos de prevalência de doenças e condições de saúde são importantes para se pensar em prevenção e controle desses agravos, visando a manutenção da promoção da saúde. Recomenda-se à mulher observar que está tendo perda urinária durante a prática desportiva e se isso costuma ocorre, ela deve procurar um Fisioterapeuta especialista em Saúde da Mulher para realizar uma avaliação cinesiológica funcional, ele irá elaborar um plano de tratamento individualizado para a paciente”, afirmam as alunas.

Edição n.º 1375

Compartilhar
PUBLICIDADE