Nos últimos anos, o uso de fones de ouvido internos se tornou bastante comum, especialmente entre os jovens. Eles são práticos, acessíveis e amplamente utilizados para ouvir música, assistir vídeos, jogar e realizar chamadas por longos períodos. No entanto, a preocupação com a saúde auditiva e o impacto desse hábito no sistema vestibular tem crescido. Um dos temas em destaque é a relação entre o uso excessivo desses dispositivos e o desenvolvimento de labirintopatia, especialmente em pessoas mais jovens.

Para compreender melhor essa relação, o otorrinolaringologista Rodrigo Hamerschmidt, da Clínica IMA, diz que é importante entender primeiro o que é o labirinto e quais são as diferenças entre labirintopatia e labirintite. “O labirinto é uma estrutura localizada no ouvido interno e tem duas funções fundamentais: audição por meio da cóclea, e equilíbrio por meio do sistema vestibular. Qualquer alteração nessa região pode gerar sintomas como tontura, vertigem, desequilíbrio, zumbido e náuseas”, explica.

Segundo o médico, labirintite é uma condição inflamatória do labirinto, uma parte do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela audição. Essa inflamação pode ser causada por infecções virais ou bacterianas, levando a sintomas como tontura, perda de audição e zumbido. É uma condição rara. “O termo mais utilizado atualmente para se referir às famosas tonturas é labirintopatia, que é um termo mais amplo que se refere a qualquer distúrbio do labirinto, incluindo não apenas a labirintite, mas também outras condições que afetem o funcionamento normal dessa estrutura. Isso pode incluir problemas relacionados ao equilíbrio sem necessariamente envolver inflamação, como a disfunção vestibular”, ilustra o Dr Rodrigo.
Ele também alerta para o impacto do uso excessivo de fones de ouvido internos, que pode levar a uma série de problemas auditivos e vestibulares, contribuindo para a labirintopatia, e cita algumas razões pelas quais isso pode acontecer:

  1. Pressão e vibrações: Fones de ouvido internos se encaixam diretamente no canal auditivo, podendo causar pressão e vibrações excessivas. Essa pressão pode irritar as estruturas delicadas do ouvido interno, afetando o labirinto.
  2. Volume elevado: Ouvir música ou outros conteúdos em volumes altos pode danificar as células ciliadas responsáveis pela audição. Esse dano auditivo pode se estender ao sistema vestibular, resultando em sintomas de labirintopatia, como tontura e desorientação.
  3. Tempo de uso prolongado: O uso contínuo de fones de ouvido, especialmente em ambientes barulhentos, pode levar a um estresse auditivo crônico. Isso pode resultar em inflamação e desregulação das funções do labirinto, contribuindo para o desenvolvimento de labirintopatia.
  4. Falta de descanso auditivo: O ouvido, assim como qualquer outra parte do corpo, precisa de períodos de descanso. O uso excessivo de fones de ouvido pode levar à fadiga auditiva, aumentando a suscetibilidade a distúrbios vestibulares.
    “Embora o uso de fones de ouvido internos seja uma prática comum, especialmente entre os jovens, é crucial estar ciente dos riscos associados. A labirintopatia pode ser uma consequência do uso excessivo desses dispositivos. Para proteger a saúde auditiva, recomenda-se moderar o uso, manter volumes seguros e fazer pausas regulares”, reforça.

Edição n.º 1500.