Embora vários bairros estejam recebendo muitas melhorias, principalmente de pavimentação asfáltica, algumas regiões localizadas ainda possuem sérios problemas herdados de administrações anteriores que, ao implantarem a região industrial do município, acabaram por deixar certas ruas sem o asfalto.

Algumas empresas acabaram ficando no prejuízo: é o caso dos empresários que se instalaram na Rua Ladislau Gembaroski, no bairro Thomaz Coelho. A mesma rua muda de nome de uma altura em diante e passa a se chamar Francisco Orlikoski.

Segundo os empresários. O acesso por trechos de saibro que exibem buracos e muito pó compromete algumas operações. Os empresários afirmam que, nos dias de chuva sobram poças de água e lama e, nos dias ensolarados é a vez da poeira incomodar. Segundo eles, a situação já poderia ter sido solucionada há muito tempo e que a demora já provocou, inclusive, a mudança de endereço de uma das empresas. Tentativas de chamar a atenção das autoridades para o problema, de acordo com eles, não tiveram sucesso.

“Essa rua não tem manutenção. A Prefeitura envia as máquinas, a situação melhora num determinado período, e quando chove tudo volta a ser como estava. Nós não podemos mais ficar à mercê desse problema, todos dependem do acesso de caminhões para trazer materiais e transportar a produção”, reclama o proprietário da empresa Artefatos Klopffleisch Ltda., Rubens Klopffleisch Júnior.

Ele conta que os empresários já se reuniram com o secretário municipal de Obras, Conrado Faria de Albuquerque, e este alegou que a Prefeitura ainda não fez o asfalto porque existem outras prioridades no município. “Enquanto isso, os empresários estão deixando de ampliar seus negócios e o município corre o risco de perder estas empresas”, pontuou Rubens. A Klopffleisch tem cerca de 90 funcionários, sendo a maioria residente em Araucária.

Estrutura para poder crescer
Apesar de ser uma das primeiras empresas da rua e estar localizada no trecho asfaltado, a Moltec Molas e Artefatos de Arame também tem sido bastante prejudicada com a situação. A empresa se instalou na região há cerca de 18 anos e tem hoje 87 funcionários, cerca de 90% de Araucária.

De acordo com o sócio diretor, André Larsen, a Moltec é uma empresa certificada com a ISO 9001/2000, pretende expandir seus negócios e começar a exportar sua produção. “Mas isso não tem sido possível, pois o acesso à nossa empresa é péssimo e os caminhões mal conseguem chegar até aqui. Esse asfalto que temos hoje foi feito há cerca de dois anos, isso devido a muita pressão que fizemos, pois nesse endereço também funciona o Consulado da Suíça, do qual sou Cônsul Honorário, explicou Larsen.

“Foi com muito esforço que conseguimos que uma parte da rua fosse asfaltada, mas depois disso a região ficou praticamente deixada de lado. Os empresários até se dispuseram ajudar a Prefeitura a fazer o asfalto, mas parece que eles não se interessaram muito por isso. Geramos empregos, geramos renda, mas para a Prefeitura isso parece não interessar”, criticou Larsen, que também é sócio gerente da Lubeco Indústria e Comércio de Lubrificantes Vegetais, que está instalada há cerca de 10 anos na mesma rua Ladislau Gembaroski.

Difícil acesso às empresas
A situação enfrentada pelas empresas Klopffleisch, Moltec e Lubeco, se repete na Maxestampo (indústria metalúrgica) que está instalada no município há 11 anos e Maxilaser (estamparia de precisão), que está funcionando há dois anos. As duas unidades geram 28 empregos e mais de 50% são de Araucária. Segundo o sócio proprietário Hildemar Ivo Fila, o movimento diário de carros e caminhões que chegam e saem das empresas chega a algo em torno de 60 veículos.

“Pior não são os carros pequenos, esses sempre dão um jeito. O caos é quando um caminhão precisa chegar até aqui. Dia desses um caminhão veio fazer uma entrega e teve dois pneus furados em função dos buracos. As reclamações são muitas e nem sempre os fornecedores aceitam colocar seus veículos em ruas em situação como essa”, disse.

Hildemar também disse ter participado de várias reuniões com a Prefeitura, mas, como os demais empresários, acredita que a solução não saia tão cedo. “Já cansamos de pedir, agora o recurso é ficar esperando a boa vontade deles”, comentou.

Em busca de um endereço fixo
O proprietário do imóvel onde está instalado o frigorífico Diplomata, Marcelo Ferraz, comentou que num período de 10 anos, quatro empresas já passaram pelo local. “Nenhuma delas fica por aqui muito tempo devido à falta de estrutura da região, que não oferece perspectivas de crescimento. É uma área extensa e acho que a Prefeitura deveria valorizar o condomínio de empresas da região, pois são geradoras de empregos e renda para o municípío”, comenta.

Ferraz disse ainda que já participou de várias reuniões com a Prefeitura, e que também se propôs a ajudar a melhorar as condições de acesso às empresas. “Além disso, aqui nesta rua também existem residências e é linha de ônibus, por isso não acredito que a situação possa perdurar por muito mais tempo”.

Sem alternativa de ficar

De todas as empresas instaladas na região, a situação mais complicada é a da Diplomata S.A. Industrial e Comercial, que está prestes a fechar sua unidade e encerrar as atividades no município, entre outros motivos, por causa das condições da rua Francisco Orlikoski, onde está instalada há dois anos.

Até o momento, a empresa já demitiu 56 dos 112 funcionários (metade de Araucária) e nos próximos dias pretende demitir os demais, porque vai mudar de endereço e de cidade. “A decisão é irreversível, pois nós cansamos de pedir uma providência. Perdemos muitos negócios devido às péssimas condições de acesso. As carretas não conseguem chegar até aqui porque além de estreita, a rua está cheia de buracos”, explica Juraci Carlos Talasca, gerente comercial.

Ele salienta que o frigorífico carrega 22 caminhões por dia e recebe carga de três a quatro carretas diariamente. “É um movimento grande e por isso não entendemos o porquê dessa falta de atenção da administração”, argumenta. Talasca disse ainda que a empresa já sugeriu fazer o alargamento de um trecho da rua, onde o acesso dos caminhões é ainda pior.

“O proprietário do terreno se dispôs a ceder a área para a Prefeitura, mas isso também não foi feito. Apesar de estarmos nos mudando, esperamos que a situação se resolva e que o município cuide melhor das empresas que estão ficando”, disse Talasca.

Solução pode vir já no ano que vem
Se por um lado os empresários do Thomaz Coelho estão indignados com a falta de assistência por parte da Prefeitura, esta, por sua vez, alega estar de mãos atadas diante do problema. Segundo o secretário municipal de Obras Pùblicas, Conrado Faria de Albuquerque, o município não dispõe de recursos para asfaltar a Rua Ladislau Gembaroski/Francisco Orlikoski.

“O que nos impede de pavimentar aquele trecho é o custo elevado da obra. Hoje o valor do quilômetro asfaltado gira em torno de R$ 553 mil e esta obra não está prevista no Orçamento deste ano, que por sinal já está no limite”, explicou o secretário. A rua tem uma extensão de cerca de 3.800 metros e, desse total, menos de um quilômetro é asfaltado.

Conrado comentou ainda que a Prefeitura está disposta a acatar a proposta das empresas e estabelecer um convênio para executar o asfalto, mas não acredita que os empresários estejam dispostos a arcar com as despesas que, segundo ele, são bem pesadas.

“Só para se ter uma idéia, asfaltar aquele trecho hoje representaria um investimento de aproximadamente R$ 1,3 milhão. Mesmo assim, estamos tentando buscar soluções e já solicitamos um projeto para aquela área, prevendo que o investimento possa ser incluído no Orçamento de 2008. Enquanto isso, a Prefeitura pretende realizar ainda este ano, a recuperação do trecho que já está asfaltado”, disse, acrescentando que a área industrial, como um todo carece de investimentos, por isso, o município pretende disponibilizar recursos em 2008 para recuperar e implantar pavimentação nas ruas que atendem esta área.

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