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Talvez alguns não admitam que já tenham ouvido essa estória, mas ela é sim contada por aí: determinada pessoa se elege para um cargo eletivo e passa a ter direito a nomear certa quantidade de assessores comissionados. Esta mesma pessoa, em razão do cargo que ocupa e em negociações lícitas de composição de base consegue indicar esse ou aquele sujeito para trabalhar como cargo em comissão na Prefeitura. Por mais que gostemos ou não, até aí esse jogo existe e não é ilegal.

A ilegalidade começa a acontecer quando, dizem, a pessoa detentora do direito de nomear e/ou detentora do poder de indicar passa a exigir certa porcentagem do salário que vai receber aqueles que ocuparão esses cargos. Tal prática é crime. Mas não invariavelmente ouvimos dizer que ela é rotineiramente praticada. Ouvir dizer, claro, não significa necessariamente que isso seja verdade.

Mas, em Araucária, desde a semana passada, já temos pelo menos uma pessoa que ocupou um cargo público eletivo condenado a prisão pela prática dessa apropriação de salários, popularmente conhecida no Brasil como rachadinha. A matéria com os detalhes desse caso está em nossa página 8.

Obviamente, a ex-vereadora Adriana Cocci ainda poderá recorrer da sentença e, eventualmente, ser absolvida das acusações. Porém, não se pode – desde já – deixar de torcer para que a publicização da condenação tenha efeitos pedagógicos naqueles – talvez – e só talvez – tenham cogitado se apropriar de parte do salário de assessores ou apadrinhados, seja sob a justificativa de montar caixa futuro para a campanha eleitoral, custeio de gastos do exercício do mandato e desculpas do gênero.

É preciso pontuar que a sentença da ação penal movida pelo Ministério Público contra Adriana é a primeira de um total de nove movimentadas pela Promotoria do Patrimônio Público da cidade contra quase a totalidade dos vereadores da legislatura 2013-2016. Obviamente, pode ser que nos demais casos o pronunciamento final do Juízo de Primeiro Grau seja diferente, mas os que torcem por isso não deveriam apostar todas as suas fichas nisso, já que o roteiro desses processos é, em muitos deles, bem parecido com o da ex-vereadora.

Nossa torcida é para que todos os políticos – seja os que já se foram, os que estão e os que pretendem entrar para a vida pública – entendam que o tempo da rachadinha já passou e que viver perigosamente, confiando que nunca será delatado ou pego numa quebra de sigilo ou algo assim, não vale a pena.

Precisamos entender e trabalhar para a conscientização de toda a nossa população que não é digno do cargo público aquele que o utiliza para se apropriar do salário desse ou daquele assessor. O tempo do “todo mundo faz isso” está passando e quem insistir nessa prática terá o mesmo destino de quem já caiu ou está por cair. Pensemos todos nisso e boa leitura.

Publicado na edição 1282 – 07/10/2021

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