O Ministério Público informou ao jornal O Popular no início da tarde desta quarta-feira, 18 de fevereiro, que já instaurou procedimento interno para averiguar os fatos relacionados ao sumiço de 4 cães comunitários que moravam no estacionamento do Centro de Distribuição do Mercado Livre, em Araucária.

A apuração está sendo feita inicialmente no âmbito da Notícia de Fato registrada sob o nº 0010.26.000255-4/1. As investigações estão a cargo da 1ª Promotoria de Justiça de Araucária, que é responsável por toda e qualquer matéria afeta ao Meio Ambiente.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério Público, os acontecimentos serão devidamente apurados, com vistas à verificação de responsabilidade dos envolvidos nas esferas cível e/ou criminal. A 1ª Promotoria de Araucária está sob a responsabilidade do promotor de justiça Alexandre Ribas Paiva.

De acordo com operadores do Direito ouvidos pelo O Popular, na esfera criminal a tendência é que todos os colaboradores envolvidos diretamente ou indiretamente no episódio sejam processados individualmente, sendo que o inquérito aberto pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente do Paraná terá como missão instrumentalizar o MP no que diz respeito a participação de cada um dos envolvidos. Como lembrou o titular da Delegacia na manhã desta quarta-feira, as penas podem variar de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa.

Os advogados ouvidos pelo O Popular pontuaram ainda que o fato de o Ministério Público ter aberto um procedimento específico para acompanhar a situação no âmbito da Promotoria de Meio Ambiente permitirá – dependendo das provas existentes – buscar a responsabilização cível do Mercado Livre. Isto pode acontecer por meio de uma Ação Cível Pública (ACP) em que a consequência final seja, por exemplo, que a empresa seja condenada pelo Poder Judiciário a pagar multas e indenizar a coletividade pelo ato.

Não há, no entanto, um prazo certo para que o Ministério Público promova essas diligências propondo ou não algum tipo de ação judicial.

RAJADA E CARA PRETA SEGUEM DESAPARECIDAS

Dos quatro cães levados por funcionários do Mercado Livre e jogados na área rural de Campo Largo, a mais de 30 quilômetros de onde sempre residiram, dois permanecem desaparecidos. Rajada e Cara Preta são os nomes delas. As duas dogs são irmãs.

Protetores independentes e uma empresa especializada na busca de animais contratada pelo Mercado Livre tem feito buscas na tentativa de localizá-las. Em nota divulgada nesta quarta (18), a empresa afirmou estar muito feliz com o fato de dois dos cães já terem sido encontrados. “Nós, do Mercado Livre, confirmamos que dois dos cães comunitários que viviam nos arredores do centro de distribuição de Araucária foram localizados em segurança e saudáveis, uma notícia que renova nossa esperança. Estão, neste momento, sendo cuidados em um hospital veterinário de Curitiba”.

A nota informa ainda que a empresa segue profundamente sensibilizada com o ocorrido e solidários à comunidade de Araucária. “Reafirmamos nosso compromisso com a transparência, com o respeito à proteção dos animais e com a adoção de todas as medidas cabíveis para que situações como essa não voltem a acontecer”.

O Popular questionou a empresa se eventuais despesas com o acompanhamento médico e guarda de Xuxa e Lobão serão custeadas pela empresa, mas até o fechamento desta matéria não havíamos obtido resposta

Edição n.º 1503.