A palavra Advento tem origem no paganismo, e quer indicar a vinda do deus dos pagãos. Num determinado dia do ano eles expunham ao culto a sua estátua, certos de que ao mesmo tempo se tornaria presente no meio dos seus fiéis, disposto a distribuir suas bençãos e a conceder os seus favores. A palavra ‘advento’ significava também a visita de um rei a uma cidade, ou então indicava o dia da coroação do soberano. Os cristãos aplicaram todos esses significados à ‘vinda’, ao mundo, do próprio Deus que se manifestara em Jesus. Reservaram, porém, o termo ‘advento’ para o período dedicado à preparação desta ‘visita’.

Em torno do ano 600d.C. inicia-se o tempo do advento, que é esse tempo especial de preparação para a ‘visita’, a vinda de Jesus Cristo. Durante quatro semanas, vive-se esse tempo maravilhoso, com a liturgia toda voltada para o nascimento do Salvador. Mais tarde, cria-se a coroa do advento, com quatro velas, acesas a cada domingo de modo sequencial. As cores são bastante relativas, podendo ser todas elas de cor roxa ou então, verde, roxa, vermelha ou rosa e branca. Eu, pessoalmente, prefiro a distinção de cores, para bem caracterizar esse tempo do advento.

Iniciamos falando de esperança, pois, a vinda de Jesus trouxe a certeza de um novo tempo para a humanidade. Esperamos, com alegria, a chegada do príncipe da paz, que veio instaurar no meio do mundo, o Reino de Deus. Uma esperança que cria nas pessoas um desejo profundo e sincero de novos tempos para a sociedade. É como se Jesus estivesse nascendo novamente para provocar nas pessoas a possibilidade de novos céus e nova terra. E isso é encantador, pois renova em cada um de nós a esperança de que as coisas podem mudar e ser diferentes. Do contrário, o desespero nos colocaria no precipício, como se nada mais pudesse ser mudado e transformado.

Nesse início de Advento, somos chamados a sermos vigilantes, pois, não sabemos nem o dia e nem a hora da nossa partida desse mundo. A linguagem bíblica pode parecer muito forte, ameaçadora, como se Deus tivesse prazer em nos ‘pegar’ desprevenidos e nos castigar. Na verdade, é um apelo para a mudança e a conversão constante, através da oração e da abertura contínua a Deus. Para nós, católicos, Advento é tempo de oração, participando das missas na comunidade e dos grupos de reflexão nas famílias. Além disso, todos somos chamados a realizarmos um gesto concreto de partilha, em prol da evangelização e de um presente concreto, especialmente para as crianças carentes.

Pessoalmente, vibro muito com esse período, pois, tudo exala o perfume da vida nova, que se renova no presépio, onde nasce o Menino Deus. É tempo em que os corações se tornam um pouco mais sensíveis, e nos fazem crer que o mundo pode ser melhor. Tempo em que as famílias se encontram, partilham alegrias e sofrimentos, e o perdão parece tocar o coração daqueles magoados e ressentidos. Podemos dizer que a esperança está ‘solta no ar’, renovando o desejo de que reine o amor entre as pessoas, a paz nas famílias e na sociedade, a partilha no meio da humanidade. Como é bom ter esse tempo tão especial em nossas vidas! Como é bom podermos vivenciar mais um ano, a alegria do Natal, do Nascimento do Salvador! É tempo novo! É tempo de Esperança!

Edição n.º 1493.