Maria Padilha. Maria Mulambo. Qual bruxa acompanha a sua vida? Você é descendente de bruxa?
Avó benzedeira. Tataravó rezadeira. Tia-avó macumbeira. Neta de mãe de santo.

Quanta ancestralidade linda nos acompanha na cultura religiosa afro-indígena brasileira. A magia sempre fez parte dos nossos credos. Meu avô era benzedor. Minha tataravó, médium de cura. Eu não sou fruto do acaso — sou descendente de bruxos.

A grande questão é: o que é bruxaria?
Durante a Inquisição, esse nome foi usado para justificar fogueiras, torturas e silenciamentos. Bruxaria era tudo aquilo que fugia da tradição hegemônica da Igreja da época: rezas próprias, mandingas, patuás, benzimentos, curas feitas com ervas, com fé, com corpo e com intuição.

Bruxas não tinham, necessariamente, verrugas no nariz.

Foram mulheres que não se curvaram ao machismo opressor que, além de feri-las fisicamente, impôs uma crença silenciadora — aquela que obrigava mulheres a rezar pedindo perdão depois de apanharem de seus próprios maridos.

As bruxas aprenderam cedo que ser mulher e estar conectada à fonte, ao ar, ao fogo, às ervas e à terra é ter a liberdade de moldar a realidade através da consciência.

E a magia, em si, não precisa ser “boa” ou “má” aos olhos de espíritas ou cristãos. Ela precisa fazer sentido para a bruxa e ser eficaz para as almas pagãs.

Foi assim que muitas mulheres encontraram forças não moralizantes para enfrentar o imperialismo do masculino — esse que se colocou como único detentor da palavra de Deus, da mediunidade e do contato com o mundo espiritual.

Só homens pregam. Só homens conduzem. Só homens falam com o sagrado.
Não! As bruxas ensinaram à história que mulheres se unem. E, quando necessário, visitam o inferno para mostrar que o útero da espiritualidade é quente — e não se cala diante de agressões de qualquer espécie.

Como médium, os maiores exemplos de bruxaria que conheci, além das benzedeiras, foram as pombagiras: Maria Padilha, Cacurucaia.

A pombagira é uma das expressões mais potentes das bruxas contemporâneas. São entidades que rompem o silêncio da hipocrisia diante das violências contra a mulher. Elas vêm para empoderar qualquer ser humano que se sinta oprimido, impedido de existir, de amar, de assumir sua própria liberdade com dignidade.

Quando saímos dos altares masculinos e visitamos os altares das bruxas, encontramos uma espiritualidade intensa, visceral e profundamente transformadora.

Sempre tive mediunidade. E quando busquei minhas origens espirituais, descobri uma família extensa — espiritual e sanguínea — que caminhou de mãos dadas com a magia e o esoterismo.

E você? Vem de uma linhagem bruxa? Teve uma avó, um avô esotérico? Uma entidade bruxa que te acompanha?

Conta pra mim no @tarodafortuna.

Edição n.º 1497.