Desde que as aulas em escolas e cmeis da rede municipal de ensino iniciaram na semana passada têm sido vários os relatos de falhas no fornecimento da merenda servida aos alunos.

O problema estaria afetando principalmente aquelas unidades em que os alunos são atendidos em período integral, o que tem obrigado as direções desses estabelecimentos a dispensarem as crianças mais cedo ou adaptarem o cardápio do dia.

A responsável pelos transtornos causados à comunidade escolar é a empresa Soluções Terceirizadas, que venceu a licitação promovida pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) no final do ano passado.

O novo contrato centraliza na Soluções Terceirizadas toda a gestão da merenda, desde a compra dos alimentos, passando pela contratação de merendeiras até disponibilização de utensílios de cozinha necessário ao preparo do lanche de quase 20 mil alunos.

Nesta terça-feira, 10 de janeiro, nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Soluções Terceirizadas para entender as razões da falha na prestação do serviço, bem como se existe uma previsão para normalização do fornecimento de merenda para os alunos da rede municipal de ensino.

Em nota, a Soluções garantiu que “se preparou de forma estruturada e responsável para o início da operação da alimentação escolar em Araucária, realizando planejamento logístico prévio, contratação de profissionais do próprio município, homologação de fornecedores e organização de toda a cadeia necessária para garantir a regularidade do serviço desde o primeiro dia”.

No entanto, segundo a empresa, na noite que antecedeu o início da operação em Araucária foi “surpreendida pela desistência inesperada de fornecedores previamente homologados, o que comprometeu etapas importantes da logística de distribuição dos gêneros alimentícios”.

A Soluções afirmou ainda que, além do problema no fornecimento de insumos, também sofreu com a falta significativa de colaboradores que já estavam contratados e escalados para atuação nas unidades escolares, situação que impactou diretamente a execução do atendimento em parte das escolas.

A empresa ainda afirmou que a desistência de fornecedores e colaboradores já contratados fugiram ao padrão esperado em processo dessa natureza e entende que foi “vítima” de “atitudes incompatíveis com a livre concorrência e com a ética de mercado, por afetarem um serviço essencial à comunidade escolar”.

A Soluções argumentou ainda que, desde que os problemas foram constatados, têm adotado “medidas emergenciais para recompor equipes, substituir fornecedores e normalizar a cadeia de abastecimento, trabalhando de forma contínua para assegurar a plena regularização do atendimento o mais rapidamente possível, com foco na qualidade, na segurança alimentar e no compromisso com os estudantes da rede municipal”.

O Popular questionou a empresa se os problemas já estão todos sanados. A Soluções respondeu que esse trabalho está em fase de normalização, com a atuação de novos fornecedores devidamente homologados e aptos a garantir a regularidade logística e sanitária dos gêneros alimentícios. “As entregas vêm sendo restabelecidas de forma progressiva, conforme a recomposição da cadeia de suprimentos, assegurando padrões de qualidade, segurança alimentar e cumprimento das obrigações contratuais. A Soluções segue monitorando diariamente a operação e mantendo diálogo permanente com a Secretaria Municipal de Educação para plena estabilização do serviço”, finalizou.

Nossa reportagem também entrou em contato com a Secretaria de Educação para entender quais medidas serão adotadas contra a empresa pelo descumprimento contratual. O secretário de Educação, Sergio Ricardo Hey, informou que a Soluções já foi notificada formalmente pela inexecução contratual e que serão feitas as glosas necessárias no valor a ser recebido pela contratada.

O secretário explicou ainda que eventuais necessidades de reposição de aula em razão da dispensa de alunos nesses dias em que houve problema com a merenda serão organizadas pela SMED de forma conjunta com as instituições de ensino afetadas.