Professora relata como o celular se tornou instrumento didático para a educação | Araucária
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Professora na escola Marcos Freire, Gislaine Santana sente muita falta de uma sala de aula cheia de crianças. Foto: Marco Charneski

Escolher uma professora para representar esse universo tão maravilhoso de educadores que dedicam suas vidas a ensinar e formar cidadãos não é tarefa fácil, mas pergunta aqui, troca uma ideia ali, decidimos contar a história da professora Gislaine, mas poderia ser da Ineide, da Marcia, da Giovana e de tantos outros professores que superaram as próprias limitações para que seus alunos tivessem acesso a conteúdo de qualidade durante esse ano pandêmico.

A professora Gislaine Abreu De Santana, tem 34 anos, é mãe do Gabriel de 10 anos e da Gabriely, de 17 anos e mora em Curitiba. Em 2020 ela estava atuando com duas turmas – um 4º ano na escola Marcos Freire e como professora substituta na escola Silda Sally com o 3º ano – totalizando 55 alunos. Gislaine se formou em pedagogia no ano de 2008 e trabalha na rede municipal desde 2011. Ou seja, ela era preparada e tinha experiência suficiente para dar conta das duas turminhas, mesmo em níveis diferentes de ensino, mas nada do que a professora aprendeu ou vivenciou até então a preparou para a nova realidade que a pandemia iria impor ao sistema tradicional de educação.

“Um dia eu estava na sala de aula ainda conhecendo melhor os meus alunos e no outro eu estava em casa, cuidando dos meus filhos e de mais um sobrinho de dois anos, que passou a ficar conosco durante a pandemia. E quando percebi o celular acabou virando a extensão do meu braço”, conta Gislaine sobre suas primeiras impressões da pandemia.

A professora lembra que uma semana antes do encerramento das aulas, que aconteceu no dia 20 de março, a equipe pedagógica estava bem apreensiva, pois alguns alunos já não estavam mais indo para a escola. “Pensamos em soluções para no máximo 15 dias e preparamos atividades para as crianças fazerem em casa nesse período, mas a suspensão das aulas por prazo indeterminado fez com que as direções das duas escolas rapidamente se mobilizassem e criassem os grupos de whatsapp entre os professores que atendiam as mesmas turmas e os pais desses alunos”, explica. Em seguida a Secretaria de Educação implantou o ensino remoto em todas as escolas municipais, no modelo que a professora Gislaine e seus colegas já estavam trabalhando.

Em casa Gislaine teve que criar uma nova rotina. As 7h30 quando o sobrinho chegava ela já iniciava a preparação das aulas e enviava o conteúdo para os celulares dos pais, gravava alguns vídeos e indicava outros vídeos existentes na web para que os alunos pudessem assistir on-line. Durante todo o dia, a professora estava disponível para esclarecer dúvidas individuais das crianças e dos próprios pais, que tinham um papel importante em todo esse processo. Gislaine, assim como outros educadores, também preparava um material de apoio que era impresso na escola para que os pais fossem retirar a cada 15/30 dias.

Além de se dedicar integralmente aos seus alunos e ao apoio aos pais, Gislaine precisava monitorar próprio o filho nos estudos. “Mesmo sendo professora, tivemos algumas dificuldades e a minha vivência com ele serviu de experiência para eu abordar melhor os pais e as crianças”.

Para a professora, ficar longe da sala de aula é um enorme desafio e um sofrimento, pois os educadores sentem muita falta desse contato direto com as crianças, do abraço e acolhimento. “Não foi um caminho fácil chegar até aqui, mas foi de muito aprendizado e empatia para com os pais, as crianças, nossos colegas e até com as nossas famílias. A lição que eu tiro é que o ambiente virtual pode ajudar na educação, mas como um complemento, ele jamais vai superar o ensino presencial, ao menos no que diz respeito às primeiras séries, que são fundamentais para a alfabetização e o desenvolvimento psicossocial da criança”. Para Gislaine a rotina que a escola impõe é ainda, essencial para a formação do cidadão.

Sobre o início do ano letivo que se aproxima, Gislaine afirma que continua muito preocupada e que como mãe ela não quer que seus filhos retornem ainda às aulas, mesmo que em sistema híbrido, pois eles já se acostumaram com a rotina que estabeleceram e estudando em casa eles estão mais seguros, até que ao menos uma boa parcela da população já esteja vacinada. Para ela, o que a secretaria municipal de educação está fazendo, com o comitê e a pesquisa, são fundamentais para o diálogo e a tomada da melhor decisão. “Como professora vou me dedicar ao máximo, assim como no ano anterior, e estou ansiosa pelo retorno, desde que o mesmo seja feito da forma mais segura possível para as crianças e famílias envolvidas nesse processo”.

Texto: Rosana Claudia Alberti

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