Hoje eu quero te ensinar um ritual de purificação na força de Mãe Iemanjá. Mas antes de qualquer vela acesa, deixa eu te perguntar: você sabe quem ela é?

Iemanjá é uma Orixá do panteão africano, força divina cultuada por povos iorubás muito antes de qualquer navio cruzar o Atlântico. É considerada uma das mais antigas divindades femininas e vista como a grande Mãe, aquela que gera, acolhe, nutre e devolve à vida. Senhora das águas e dos mares, ventre de onde tudo nasce e para onde tudo retorna.

Antes mesmo de alguém iniciar-se em uma religião de matriz africana, diz-se que todo ori, a mente, a cabeça e o destino, passa primeiro pelas águas de Iemanjá. É ela quem acalma, organiza e purifica antes do caminhar. Por isso, é reverenciada no Candomblé, na Umbanda, no Batuque, na Jurema e em diversas expressões afro-indígenas brasileiras, fruto da nossa miscigenação espiritual e cultural.

Talvez você já tenha se perguntado: Iemanjá é branca ou preta? Eu vejo imagens tão diferentes nas lojas religiosas. Eu te respondo com outra pergunta: ela veio para o Brasil junto com o sofrimento de quem? A imagem embranquecida de Iemanjá é resultado direto da imposição cultural e estética dos padrões europeus de fé, da nossa branquitude, da qual faço parte, sobre o sagrado de matriz africana. Mas Iemanjá, em sua origem, é uma deusa preta, negra como as águas profundas, como os ventres da África e como as lágrimas recolhidas no fundo do mar durante a travessia forçada dos seus filhos escravizados.
É por isso que hoje eu a chamo de Rosa Negra dos Mares, delicada e feroz ao mesmo tempo, mãe que afaga e mar que engole injustiças. E agora, com respeito, consciência e intenção clara, eu te convido a realizar este ritual simples de purificação dos seus caminhos na força de Mãe Iemanjá.

Você vai precisar de:
(ingredientes)

um copo ou taça com água,

três velas nas cores azul, branca ou verde, lembrando que o número três fala de expansão,

uma fita ou barbante nas mesmas cores,

um pouco de sal e um papel com o seu nome completo.

(Modo de fazer)

Amarre as três velas com a fita, dando sete nós. Em cada nó, faça um pedido sincero, daqueles que vêm do fundo do peito. Acenda as velas e saude a Rainha dizendo: Salve minha amada Mãe Iemanjá, Odociabá, Grande Mãe.

Coloque o sal na água e, em seguida, coloque o papel com seu nome dentro da taça, permitindo que ele seja envolvido pelas águas. Agora, com a mão esquerda sobre a taça, ou apenas em pensamento, conecte-se com esta oração que eu criei especialmente para este momento de cura profunda.

Oração Rosa Negra
dos Mares
Salve, Grande Mãe das Águas. Senhora Rainha Iemanjá, que nos navios negreiros cuidaste dos teus filhos brutalmente escravizados por seus tiranos. Grande Mãe que não abandona nenhum daqueles que te chamam em águas ou em lágrimas. Rosa Negra dos Mares, deusa que afoga toda injustiça e toda maldade, afoga em teus mares qualquer forma de servidão, qualquer escravidão da mente, do coração ou da alma. Liberta a minha vida de todas as injustiças, inclusive da ignorância sobre mim mesmo, para que meus caminhos sejam livres como teus mares, que acolhem sem julgar e limpam sem ferir. Que eu venha a ti sem soberba, apenas com flor. Odoyá.

Após a oração, deixe seu nome nesta taça por sete dias. Depois desse período, despeje a água em água corrente ou em seu altar pessoal, com gratidão. Durante esses dias, é comum que sonhos intensos aconteçam, pois Iemanjá costuma revelar em sonho aquilo que está sendo lavado e purificado.
Eu me chamo Evandro, também conhecido como Vando, e compartilho conteúdos sobre espiritualidade, consciência e cura. Se essa mensagem tocou você, me siga e compartilhe com quem também ama Mãe Iemanjá. E você, também ama Iemanjá?

Que a luz que te conduz seja sempre a sua consciência. Odoyá.

Edição n.º 1501.