Araucária perde Marcos Drewniak, um artista que sempre esteve à frente do seu tempo!

“Penso que se nós não brincarmos na vida, como poderão ser as situações, os fatos? Assim, ‘brincando’, já está um momento de sofreguidão, imagina como seria se nós não tivéssemos brincadeiras, alegrias, um pouco de infância e deslumbres, quais nos proporcionam uma felicidade rápida? Concordo plenamente com Arquimedes!” Esta foi uma das últimas postagens do professor, ator e diretor Marcos Aurélio Scheuer Drewniak, 57 anos, parafraseando Arquimedes: “Brincar é condição fundamental para ser sério!”.

Marcos Drê, como era carinhosamente chamado pelos amigos, faleceu neste domingo, 22 de fevereiro, deixando não apenas a comunidade artística de Araucária de luto, mas todos aqueles que o conheceram e tiveram o privilégio de conviver com ele. Marcos sempre foi um ativista apaixonado pela cultura, tinha ideias brilhantes, algumas tidas como ‘malucas’ para o contexto da época.

“Trabalhar com o Marcos Drê era como aprender algo novo todos os dias. Na redação do Popular ele se divertia, sempre tentando envolver a todos nas suas conversas. Drê amava escrever artigos e textos da editoria de cultura, mas muitas vezes não tinha ‘papas na língua’, e juntos sempre chegávamos a um consenso. Ele sempre foi um artista à frente do seu tempo!”, declarou a jornalista Maurenn Bernardo.

O professor, ator e diretor Jester Furtado lembra que Drewniak foi um grande incentivador da carreira de muitos artistas, inclusive a dele. “Hoje Araucária perde um dos grandes nomes da arte local, assim como Eliseu é grande nome da dança em Araucária, Marcos Drewniak é, indiscutivelmente, o maior nome do teatro araucariense. Ator, diretor, mas sobretudo um grande teatro-educador. Uma potência incrível, conquistava o carinho e a confiança das pessoas com seu carisma contagiante, acolhia a todos sempre com um abraço carinhoso, quase medicinal. Marcos foi um divisor de água em minha vida, ao me acolher no teatro me contou sobre a possibilidade de uma faculdade, fiz o vestibular e reprovei, voltei agradecer e me desculpar pelo tempo perdido comigo. ‘Esse não é seu primeiro não e nem será o último’, disse ele de forma objetiva. ‘Vida que segue’”, declara

Jester conta que seguiu os passos de Drewniak e cursou a mesma graduação. Diz ainda que Marcos o encaminhou para a Faculdade e depois interveio por ele arrumando um estágio e mais tarde possibilitou suas primeiras experiências como professor de Artes. “O profissional que me tornei é, sem dúvida nenhuma, resultado do olhar humanizado e freiriano de Marcos Drewniak. Marcos era um grande vulcão, uma potência admirável e por certo também invejável. Dono de uma inteligência absurda que o catapultou da direção do Teatro da Praça ao cargo de professor universitário na Faculdade de Artes do Paraná e para a cadeira de secretário de Cultura. Marcos foi fonte para muitos e, quem sabe, enquanto vulcão cheio de energia e potência tenha implodido em si mesmo, feito Van Gogh a quem ele tanto admirava e estudava, exageradamente humano e que se permitiu passear por todas as nuances de cores que a vida nos impõe. Mas o que fica é o calor e a alegria das cores intensas que marcaram sua trajetória, cores vibrantes que radiaram e coloriram também a vida de outras pessoas.
Gratidão, Marcos!”, declarou Jester emocionado.

A gestora da Casa Eliseu Voronkoff, Ana Paula Frazão, compartilha da mesma opinião. “Destaco a generosidade do Drê, ele tinha um coração enorme. Foi a primeira pessoa que me arrumou emprego, que me colocou num grupo de teatro. Foi meu amigo a vida inteira. Teve participação importante no cenário cultural, como secretário de Cultura, professor universitário. Fe uma carreira belíssima. Foi autor de textos teatrais e dedicou muito da vida dele para a arte, para a cultura, e sempre acreditou nisso”, afirma.

Ana ressalta que Marcos tinha um posicionamento político, uma vontade de que as coisas dessem certo, ele apostava na cultura como um lugar de transformação. “Acredito que a arte deu a ele uma sensibilidade muito grande para saber lidar com as pessoas. É uma perda gigantesca para todos nós e até falei para a família dele que sua vida deve ser celebrada. Pela alegria, por tudo que ele compartilhou com a gente. Se hoje temos uma cultura na cidade acontecendo, é porque pessoas como o Marcos Drewniak de alguma forma começaram”, pontuou.

O velório de Marcos está marcado para acontecer a partir das 19h na capela mortuária do Cemitério Central. Já o sepultamento está programado para esta segunda-feira, às 11h, no Cemitério Memorial Santa Rita, na localidade de Campo Redondo.