A propagação de assuntos pela internet envolvendo canetas emagrecedoras se tornou um alerta para a população que deseja um meio mais rápido para o tão desejado corpo dos sonhos. O perigo se encontra na desinformação e também na procura desse tratamento por meios fáceis e baratos. A respeito disso, o médico gastroenterologista e cirurgião geral James Skinovsky, da Clínica São Vicente, fala sobre os perigos de utilizar as canetas emagrecedoras de forma negligente, e em quais casos esse tratamento é recomendado pelos médicos. Ele reforça que o uso dessas medicações exige responsabilidade e acompanhamento profissional.

As canetas foram inicialmente aprovadas para o tratamento de diabetes tipo 2 e, posteriormente, para o controle da obesidade. O doutor explica que essas medicações atuam de forma direta nos centros cerebrais que agem na regulação do apetite, ajudando o paciente a comer menos, e também retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de saciedade.

Segundo o especialista, estudos mostram que o tratamento pode levar à redução de pelo menos 5% do peso corporal na maioria dos pacientes, especialmente quando associadas a dieta equilibrada e atividade física. “Em alguns casos, a perda média pode chegar a cerca de 15% do peso inicial. Esse tipo de terapia não deve ser encarado como solução rápida ou estética. As diretrizes indicam o uso principalmente para adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou para pessoas com sobrepeso associado a doenças como hipertensão, diabetes ou apneia do sono. O objetivo maior não é atingir um padrão corporal, mas melhorar a saúde global e reduzir riscos metabólicos”, explica.

Nesse sentido, o doutor James faz um alerta para a automedicação, informando que autoridades da saúde brasileira já deixaram claro que utilizar essas medicações sem prescrição aumenta o risco de complicações como desidratação, alterações hepáticas e sobrecarga cardíaca.

Os pacientes que utilizam a caneta normalmente apresentam os seguintes efeitos: náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dores abdominais, geralmente leves e passageiros. “Há ainda outras condições em avaliação, como doenças biliares, pancreatite e dificuldades na digestão. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável para identificar contraindicações e monitorar possíveis reações”, destaca o médico.

Uso de canetas emagrecedoras deve ser feito com responsabilidade e acompanhamento médico
O gastroenterologista afirma que a medicação não substitui hábitos saudáveis

Outro ponto bastante enfatizado pelo especialista é a interrupção do uso da caneta emagrecedora. Ele menciona que os resultados esperados dependem da continuidade do tratamento. Quando o medicamento é interrompido sem um plano estruturado, é esperado que o apetite aumente novamente e parte do peso regresse. Essa ação é resultado das adaptações naturais do metabolismo.

O médico reforça que isso não significa fracasso terapêutico, mas sim que o tratamento precisa ser encarado de forma estratégica e de longo prazo, com mudanças sustentáveis no estilo de vida. “O uso indiscriminado também levanta discussões no campo da saúde mental. Especialistas têm observado que o efeito de supressão do apetite pode intensificar comportamentos alimentares desordenados ou preocupações excessivas com o corpo, especialmente em pessoas vulneráveis”.

O doutor James afirma que nenhuma medicação deve substituir hábitos saudáveis, que esse método é uma ferramenta dentro de um plano terapêutico bem estruturado. Apesar dos alertas, que devem ser levados em consideração, ele cita que a medicina reconhece que essas terapias representam um avanço importante no combate à obesidade, condição que é associada a diversas doenças crônicas. “O segredo está no equilíbrio entre expectativa e responsabilidade. Antes de aderir a qualquer tratamento, a orientação é buscar avaliação individualizada. Afinal, mais do que emagrecer, a prioridade deve ser preservar a saúde com segurança, ciência e acompanhamento adequado”, finaliza o especialista.

SERVIÇO

O médico gastroenterologista e cirurgião geral James Skinovsky atua com o CRM 15188 na Clínica São Vicente, que está localizada na Rua São Vicente de Paulo, n.º 250, no centro de Araucária. O telefone/WhatsApp para contato é o (41) 3552-4000, e o site da Clínica é o www.csv.med.br.

Edição n.º 1501. Victória Malinowski.