Cidade Industrial de Araucária completa 50 anos de história

Cidade Industrial de Araucária completa 50 anos de história.
Foto: Divulgação.
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Há 50 anos, mais precisamente em 15 de agosto de 1973, nascia a Cidade Industrial de Araucária (CIAR), para promover o desenvolvimento do Município, em todas as esferas, através da atração de indústrias de grande, médio e pequeno porte. Mas para entender bem o contexto da fundação da CIAR ainda é preciso voltar um pouco mais no tempo. Dois anos antes.

Isto porque foi em 1971 que começaram os rumores acerca da instalação de uma refinaria da Petrobras em Araucária. Houve intensa movimentação em torno da notícia, tanto nos bastidores políticos, quanto econômicos. Aquilo que parecia ser especulação, se concretizou. Em 1972, já com a confirmação de que Araucária havia sido escolhida, o então prefeito Rizio Wachowicz passou a concentrar esforços para dotar a cidade da infraestrutura capaz de receber um investimento do porte da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). E finalmente em 1977, a refinaria é inaugurada, com toda pompa e destaque merecidos, tamanho o investimento e chance de crescer que a cidade estava recebendo.

Inauguração da Repar, n o ano de 1977
Foto: Divulgação. Inauguração da Repar, em 1977, com a presença do então presidente Ernesto Geisel e do então governador do Paraná Jaime Canet Jr.

A Cidade Industrial de Araucária (CIAR), que veio dois anos depois do anúncio da vinda da Repar, teve papel fundamental nesse processo, ajudou a orientar a industrialização que deveria se suceder a esse acontecimento. Inicialmente, foram destinados 21,4 hectares de área para que novas empresas pudessem se instalar, aproveitando as matérias-primas, produtos finais e serviços destinados à refinaria e a seu universo produtivo.

Muitas indústrias começavam a chegar. As primeiras até eram pequenas em tamanho, mas de grande significado para a formação de cultura e fixação de importantes famílias em Araucária. Nesse cenário, o município necessitaria de mais escolas, mais água tratada, mais ruas e estradas asfaltadas, mais residências. Era preciso atender à grande demanda de operários e técnicos que vinham de todo o país, através de empreiteiras, para o parque de obras.

Esse cenário obrigou a prefeitura de Araucária a empreender um grande esforço no sentido de capitalizar aquele momento para a cidade. Afinal, não se podia, de jeito nenhum, desperdiçar a oportunidade de alavancar o desenvolvimento do Município. Era preciso fazer com que aqueles investimentos ficassem aqui, com as obras resultando em moradias, movimento no comércio, novas escolas, dentre outras melhorias para os trabalhadores araucarienses. E foi dessa necessidade que nasceu a CIAR.

Progresso acelerado

Araucária passava por um processo de grande transformação cultural, o progresso havia chegado rapidamente, trazendo junto muitas oportunidades de emprego e renda. Pouco tempo depois da chegada da Repar, o crescimento populacional de Araucária já era visível. Pra se ter uma ideia, no início dos anos 80 a população havia aumentado em mais de 100%. Isso mesmo! Era o início de uma nova era para o Município!

O crescimento da Cidade Industrial se acelerou. Como atrativos para empresários, pesava na balança o fato de Araucária contar com diversos aspectos decisivos para que empresas nacionais e internacionais viessem se instalar aqui, como por exemplo, a proximidade de grandes centros consumidores, recursos naturais limpos e abundantes, e as ligações de fácil acesso por via terrestre, aérea, marítima e férrea.

Tempo de alavancar a economia

O documentário “Da Madeira ao Aço: A Industrialização de Araucária”, publicado pela Prefeitura de Araucária em 2009, que faz parte do acervo do Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres, mostra que na década de 70, a política estadual estava decidida a promover o desenvolvimento baseado na oferta de empregos, na ampliação da infraestrutura e na modernização da economia. O Governo do Estado, desde a década de 60, havia organizado o Banco de Desenvolvimento do Paraná – Badep, justamente para facilitar o acesso a créditos e financiamentos e atrair a vinda de empresas para o Paraná.

Cenário nacional

O Brasil também vivia tempos de pujança econômica na década de 70, representada por mega obras, na busca pelo desenvolvimento — o grande conceito da época — de indústrias nacionais. A proposta era resguardar o país de possíveis interferências estrangeiras, que pudessem pôr em risco o futuro que aguardava o Brasil. Nesse cenário, era fundamental propiciar a infraestrutura energética necessária para
suportar o rápido crescimento que estava por vir.

O Paraná fazia parte desse esforço. Os governos da década de 60, Ney Braga e Paulo Pimentel, prepararam o Estado para o desenvolvimento. A preocupação primeira foi atender as vertentes do estado para a industrialização. Aproveitando a localização geográfica, a infraestrutura já existente e a hábil negociação de técnicos e políticos, o Paraná receberia uma refinaria de petróleo da Petrobras. Era um grande investimento para garantir o abastecimento de combustíveis e derivados para a região que abrangia o próprio Paraná e Santa Catarina, ambos na disputa pela refinaria e sua estrutura. Restava saber onde seria instalada a usina… Araucária foi a escolhida!

Cidade Industrial de Araucária completa 50 anos de história

Concorrência

O mar de oportunidades que a instalação de uma refinaria de petróleo geraria para todo o entorno também despertou o interesse dos nossos vizinhos da Capital. Tanto é que em janeiro de 1973 foi oficialmente criada a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e empresas como a Siemens/Equitel, New Holland e outras começaram a chegar. Muitas delas buscavam terrenos para sua instalação nas proximidades de Curitiba. Atenta a essa movimentação, a Prefeitura de Araucária não perdeu tempo em marcar sua posição como interessada neste filão de desenvolvimento, com a criação da CIAR. Dessa forma, o processo de industrialização, que em outros municípios ou regiões foi sendo construído lentamente ao longo de muitos anos, em Araucária, através da chegada da Repar, teve um grande salto em menos de uma década.

No final de 1981, segundo consta no documentário “Da Madeira ao Aço: A Industrialização de Araucária”, existiam 40 grandes empresas instaladas na Cidade Industrial de Araucária. Entre elas havia várias diretamente ligadas à comercialização dos produtos da refinaria. Mais tarde, outras empresas juntaram-se a este grupo, como a Ultrafértil, indústria de fertilizantes, para melhor aproveitar o que se produzia na Repar. Nesta época, a área da CIAR já havia sido ampliada. Em 1978, através da Lei Municipal n.º 536, foram incorporados mais 13 hectares aos 21,4 inicialmente destinados às indústrias e, no final de 1981, pela Lei Municipal n.º 584, mais 11,7 foram somados, totalizando uma área de 46,1 hectares.

Torre da Ultrafértil Acervo Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres
Foto: Acervo Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres. Torre da Ultraférti, indústria de fertilizantes que se instalou na cidade para melhor aproveitar o que se produzia na ReparTorre da Ultraférti, indústria de fertilizantes que se instalou na cidade para melhor aproveitar o que se produzia na Repar.

O mais importante polo industrial do Paraná

O desenvolvimento da CIAR ao longo de meio século de instalação fez com que ela chegasse a 2023 ostentando o título de mais pujante polo industrial de todo o Estado. Só neste ano, por exemplo, a estimativa é que as indústrias instaladas aqui gerem o equivalente a R$ 36,6 bilhões em tributos estaduais. A segunda colocada em geração de impostos para o Estado é Curitiba, com R$ 16,1 bilhões.

Dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA) mostram que são 766 as indústrias araucarienses. E elas são as mais diversificadas possíveis. Obviamente, o setor de petróleo e gás tem destaque, principalmente em razão da refinaria e das distribuidoras de combustíveis. No entanto, existem vários outros segmentos muito bem representados no parque industrial do Município, como nossas gigantes que fabricam painéis de madeira para o setor moveleiro ou mesmo aquelas voltadas para o setor de plástico, metal mecânico, laminação, passando por indústrias de enzimas, transportadoras e tantas outras.

E é em homenagem a essas empresas, que movimentam a roda da economia de Araucária, que editamos e publicamos neste suplemento mais uma edição do ranking AS 100+. A relação completa dessas indústrias você confere clicando aqui.

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