O estudante Bernardo Rafael Gondek, do Colégio Bom Jesus São Vicente, de Araucária, é aficionado por museus. Diante dessa preferência, ele percebeu que muitos desses locais não disponibilizavam informações interessantes de suas exposições, tampouco visitas guiadas que pudessem explicar um pouco mais sobre as peças. Assim, nas aulas de Iniciação Científica do colégio, decidiu propor uma solução que pudesse auxiliar nessa questão.

“O maior problema é a falta de pessoas (guias de museu) disponíveis para acompanhar os visitantes e explicar sobre as exposições. Além disso, muitas vezes as informações são complicadas e nem todo mundo entende. Então, eu criei um guia virtual, com a produção do site museu.ong.br, que é acessado por meio do QR code fixado nas peças expostas. Ele vai explicar de uma forma simples o porquê daquela peça, a história que existe por trás de cada objeto”, explica o estudante, que tem transtorno do espectro autista.

O guia conta também com ferramentas de acessibilidade, como audiodescrição, linguagem de sinais (Libras), e a possibidade do usuário aumentar a letra para ler as informações com mais facilidade. “Hoje todo mundo tem celular para ler o QR code. Isso ajuda a conhecer mais sobre o acervo do museu, e não é complicado”, observa.

Bernardo buscou dois museus de sua cidade (o Tingüi-Cuera e o Memorial Província Sul), conseguiu autorizações de ambos para usá-los no projeto, fez fotos dos locais e construiu o guia com informações que não estavam disponíveis para os visitantes. Inclusive, existe um protótipo do projeto no Museu Tingüi-Cuera, onde os visitantes podem acessar o QR code presente em algumas peças, que será direcionado às informações do site do estudante. Dessa forma, segundo Bernardo, a visita ao museu se torna mais prazerosa e acessível a todos os públicos, em especial, às pessoas com deficiência visual e auditiva.

Na pesquisa teórica, Bernardo estudou sobre museus de outros países, por meio de visitas virtuais, além de apps e guias virtuais já existentes. Além disso, leu a lei sobre acessibilidade e inclusão dos museus. “Foi então que decidi fazer o guia, um projeto barato e acessível para todos”, conta. Sobre a construção do site, ele diz que no início considerou que seria trabalhoso, mas o formato se mostrou o ideal para o seu objetivo. “O site foi o jeito mais fácil e simples para armazenar os dados dos museus. Eu o uso apenas para cadastrar as peças, ele não está disponível para o público acessar de casa”, explica.

Danielle Jackowski,  professora do Bernardo, comenta que um dos pontos mais interessantes da pesquisa é que o estudante aprendeu a construir sites sozinho, por meio de apoio técnico on-line. “Bernardo é muito dedicado. Ele gosta tanto de museus que pretende cursar uma faculdade de Museologia. Agora estamos no processo de inserção dos QR codes, mas mais para a frente queremos inserir um profissional de Libras para facilitar a acessibilidade”, explica a professora. Segundo Bernardo, o gosto pela arte vem desde pequeno. “Desde os meus 3 anos de idade visito museus. Eu acho que aprendemos muita coisa com eles. Também gosto de História, Geografia, Artes e de pesquisar coisas antigas, os antepassados, e tudo isso eu encontro nos museus. Eu quero aprender mais sobre eles”, afirma.

Com este projeto, Bernardo ganhou o Certificado Delta de Inovação e o Certificado de Inovação do IBCI- Instituto Brasileiro de Ciências e Inovações, ambos na 7ª Feira de Iniciação Científica do Ensino Médio – FICEM, realizada pelo Colégio Bom Jesus.

Foto – divulgação

Texto: Maurenn Bernardo

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