Quase perdi o sono por várias noites na semana passada, o que me ajudou a dormir foi o Blog do Nei. Acessava-o, assistia o discurso que o prefeito Zezé fez na Câmara de Vereadores na segunda-feira (21) e logo já estava com os olhos pesados. Sim, porque aquele papo furado deu sono. No entanto, como nenhum tratamento é livre de efeitos colaterais, dormia com um pouco indignado em ver um gestor pintar uma cidade que na prática não existe.

Confesso, porém, que o motivo de eu ter perdido o sono não foi à fala de Albanor. Esta, eu já esperava. Não me surpreendo mais com o que ele diz. A minha tristeza naquela noite estava no plenário, tomado em sua maioria por ocupantes de cargos em comissão e servidores efetivos com funções gratificadas, que aparentemente só estavam ali para aplaudir o chefe, independentemente do que ele dissesse, e vaiar qualquer um que ousasse dizer algo que fosse de encontro com a balela oficial.

A cena era tão ridícula e patética que não duvido que o prefeito receberia aplausos mesmo se dissesse algo do tipo “vocês são um bando de puxa-saco que só querem mamar nas tetas da Prefeitura e não estão nem um pouco preocupados com um serviço público de qualidade”. E a platéia iria ao delírio: “Zezé!!! Zezé!!!!”. É claro que a cena não aconteceu, eu só estou exagerando um pouquinho. Mas confesso que o episódio de segunda-feira na Câmara me fez lembrar um artigo recente publicado na Coluna do Sifar, que remetia ao conto A Roupa Nova do Rei. De autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, o título relata a história de um bandido disfarçado de alfaiate que engana o rei dizendo que poderia lhe costurar o mais belo e caro traje de todos os tempos. No entanto, os únicos que poderiam ver a roupa eram as pessoas inteligentes. Muito vaidoso, a majestade encomenda a peça e paga uma verdadeira fortuna ao larapio. A certa altura do conto, o bandido mostra ao rei sua criação, que na verdade não existe. Temendo que fosse considerado um idiota, a majestade finge ver o traje e o “veste”, saindo peladão pelas ruas de seu reinado.

O povo, por sua vez, também para não ser tido como idiota, já que somente os inteligentes eram capazes de ver a roupa, se finge maravilhado com as vestimentas reais. Aplaudem e elogiam o rei andando peladão pelo reinado. Ora, penso eu que vimos uma livre adaptação araucariense de A Roupa Nova do Rei na sessão de segunda-feira da Câmara. O prefeito balbuciou o que quis, pintou sua administração como sendo maravilhosa, e os cargos em comissão e funções gratificadas da Prefeitura simplesmente aplaudiram, independentemente se o que chefe do Executivo disse condizia com a realidade enfrentada pelos servidores todos os dias nas dezenas de repartições públicas de Araucária. A diferença entre o conto de Andersen e sua adaptação araucariense talvez esteja nas razões pelo qual a plebe aplaudiu o rei nu: na história original, as pessoas fingiam ver a roupa que não existia com medo de serem chamadas de burras. Já os CCs e FGs aplaudiam – talvez – com medo de perder alguma vantagenzinha.

Ah, o conto A Roupa Nova do Rei termina com uma criança, talvez ingênua e despreocupada se a achariam uma idiota, gritando ao ver o imperador desfilando em pêlo pelo reinado: “o rei está nu! O rei está nu! O rei está nu!!!”. Bem, eu sou o moleque da adaptação araucariense da história. Então lá vai: “o prefeito está nu! O prefeito está nu! O prefeito está nu!!!”.

E, vocês, amigos leitores, também acham que o prefeito está nu? Deem sua opinião. Até semana que vem!

 

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