Na guerra invisível contra o coronavírus, os sobreviventes têm muito a contar. Sintomas, medos, angústia, fé e gratidão por ter sobrevivido à Covid 19 estão nas histórias das pessoas que se recuperaram da doença. Ainda se recuperando das sequelas, o conselheiro tutelar Vanderlei Chefer, 37 anos, compartilhou sua vivência em 2021, de mais de 100 dias internado, sendo quase metade deles na UTI, correndo risco de morte.

O quadro de Vanderlei foi tão grave que quase um ano após a alta hospitalar e o período de recuperação pós-Covid, ele ainda não recebeu liberação médica para retornar ao trabalho. “Tenho perícia marcada no INSS para o final deste mês de abril e talvez seja liberado para poder voltar”, disse.

Vanderlei foi infectado no final de fevereiro de 2021, apresentando os primeiros sintomas no dia 25, como dor de cabeça, dor no corpo e alteração no paladar. Menos de uma semana depois do primeiro sintoma, ele começou a apresentar falta de ar. Foi internado e a terapia convencional com oxigênio não foi suficiente. Os médicos então decidiram pela entubação, no dia 10 de março.

“No dia 12 tive um princípio de melhora no quadro da Covid, mas com o pulmão bastante fragilizado, peguei uma bactéria resistente. Com isso meu quadro ficou ainda mais frágil e foram aparecendo novas bactérias multirresistentes. Perdi mais de 30 kg e quando saí da UTI, não conseguia andar e nem sequer segurar um talher”, relembra.

No total, o conselheiro ficou mis de 100 dias (de 06 de março a 18 de junho), internado. Somente na UTI foram 55 dias (8 de março a 3 de maio). “Por v[arias veze meu quadro ficou crítico e eu corri risco de morte. Segundo os médicos, a partir do momento em que a intubação foi se prolongando, maiores eram os riscos de eu não sobreviver. Inclusive, chegou ao ponto de a equipe médica cogitar a possibilidade de os pulmões estarem com fibrose e de eu não poder mais sair do respirador”, conta.

Alta hospitalar

Por mais que a alta hospitalar fosse o momento mais esperado por todos, Vanderlei sabia que os dias que viriam pela frente seriam bem difíceis. “Voltei pra casa com dificuldade para caminhar, ainda em tratamento de uma infecção por uma das bactérias que peguei na UTI e que colonizou meu fígado. Tinha muita dificuldade respiratória, ficava muito cansado aos menores esforços, cansava para mastigar e o simples fato de tomar banho era um desafio”, disse.

A Covid 19 também deixou sequelas na vida do conselheiro tutelar. A mais complicada foi uma estenose decorrente do tempo de intubação, que ocasionou quase o fechamento completo da traqueia e o me levou mais algumas vezes ao hospital. “Na última delas, em outubro do ano passado, precisei passar por 3 cirurgias no prazo de uma semana, sendo submetido a uma nova intubação por causa do rompimento de uma artéria. Saí do hospital com uma traqueostomia que poderia ser definitiva. Graças a Deus, em janeiro último, a traqueia já estava com menos edema e a traqueostomia foi retirada”, comemora. Embora seguisse uma vida saudável, Vanderlei estava acima do peso quando pegou Covid 19 e isso foi considerado pelos médicos como um fator agravante.

Um dia de cada vez Atualmente ele está liberado dos tratamentos medicamentosos e da fisioterapia. Porém, continua em acompanhamento ambulatorial pós-Covid, com visitas frequentes ao pneumologista e cirurgião torácico e ao hepatologista, por causa da bactéria que colonizou seu fígado.  “Ainda não retomei totalmente minha vida normal, porque devido à traqueostomia e da cicatrização desta, ainda aguardo liberação médica para retornar ao trabalho. Mas nem de longe sinto as dificuldades que senti ao sair do hospital em junho de 2021. Esses momentos terríveis que passei, me fez pensar que realmente somos muito frágeis e que não sabemos o dia e nem a hora em que podemos partir. Saí de casa acreditando que tomaria medicamentos e tudo ficaria bem e acordei quase dois meses depois, sem entender nada, sem dimensionar o que as pessoas que me amam viveram aqui fora. Então, devemos ser gratos por poder acordar todos dias e, mesmo diante de desafios e dificuldades, termos a oportunidade de viver”, aconselha.

Foto – divulgação

Texto: Maurenn Bernardo

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